quinta-feira, 12 de março de 2009

Formação das rochas sedimentares


Para desenvolver o tema das rochas sedimentares, temos de ter consciência que elas se enquadram num ciclo designado ciclo das rochas ou ciclo litológico.

Este ciclo trata-se de um conjunto de fenómenos geológicos, verificados sobretudo na crosta terrestre, que consistem em movimentos mecânicos e alterações físico-químicas pelos quais, ao longo do tempo, rochas de certo tipo se convertem em rochas de outro tipo, em sequência ininterrupta.
As rochas da litosfera transformam-se praticamente umas nas outras ao longo do tempo. Assim, a partir de um magma profundo originam-se rochas ígneas ou magmáticas, incorporando-se os seus elementos solúveis ou voláteis na hidrosfera ou na atmosfera. Os processos de geodinâmica externa, erosão, transporte, sedimentação, originam sedimentos a partir de qualquer rocha preexistente.
Os sedimentos originam, por litogénese, rochas sedimentares. Quando os sedimentos alcançam níveis profundos da litosfera, ocorrem fenómenos de metamorfismo que originam rochas metamórficas. Estas podem chegar a regenerar magmas, fechando-se o ciclo das rochas.

O que é uma rocha sedimentar?


A rocha sedimentar é uma rocha constituída pela estratificação de sedimentos com origens diversas. As rochas sedimentares formam-se, na superfície terrestre ou a pequenas profundidades, por um conjunto de processos geológicos que incluem duas etapas fundamentais: a sedimentogénese, em que ocorre a formação dos materiais que vão constituir as rochas sedimentares - sedimentos ou detritos, e a diagénese ou litificação, onde os sedimentos evoluem até formarem as rochas.
Embora a sua representação na crusta terrestre seja muito fraca (5% do seu volume), as rochas sedimentares recobrem uma extensa superfície, ocupando mais de 75% da área continental. Existe uma grande variedade de rochas sedimentares, tanto na constituição, como no aspecto e nos processos de formação.
A classificação das rochas sedimentares baseia-se na sua composição química e na génese dos sedimentos que as originam.
Na composição mineralógica das rochas sedimentares, podem distinguir-se os minerais herdados (alóctonos ou detríticos) e os minerais de neoformação (autóctores ou químicos).
Os denominados minerais herdados provêm directamente de rochas preexistentes, através de fenómenos de desagregação e transporte, sem terem sofrido qualquer alteração química. Estes minerais vão constituir as rochas sedimentares detríticas. O quartzo, os feldspatos, as micas, a limonite, a hematite, as anfíbolas, as piroxenas e a calcite são exemplos de minerais herdados.
Os minerais de neoformação são minerais novos que se formam durante a sedimentogénese ou a diagénese e que resultam da alteração química ou da precipitação de outros minerais. Exemplos de minerais de neoformação mais frequentes são a calcite, a dolomite, a sílica, os minerais de argila, a halite e o gesso.
Um dos aspectos mais importantes, contudo, para o estudo e avaliação das rochas sedimentares é a estratificação, isto é, a forma peculiar como se colocam as camadas umas sobre as outras.
Assim, percebido o conceito de rocha sedimentar, vamos especificar mais todos os processos da génese das rochas sedimentares, que se divide em 2 fases fundamentais sendo a primeira a sedimentogénese.







SEDIMENTOGÉNESE


A sedimentogénese é uma actividade que conduz à formação de materiais - sedimentos ou detritos - que constituem a matéria-prima das rochas sedimentares.
A sedimentogénese implica a ocorrência de determinados processos geológicos como a meteorização ou alteração das rochas, a erosão e o transporte de sedimentos, e a sedimentação desses sedimentos.


Meteorização

A Meteorização é conjunto de processos que leva à alteração das características iniciais das rochas, por acção de processos físicos e químicos que ocorrem na superfície da Terra.
Os processos de Meteorização alteram as características primárias das rochas.
Daqui se segue a diversidade de rochas sedimentares existentes.

Existem 2 tipos de minerais:
- Minerais herdados - minerais provenientes de rochas preexistentes.
- Minerais de neoformação – minerais novos, formados durante o processo de sedimentogénese ou de diagénese.

Alguns aspectos estruturais das rochas podem favorecer a meteorização, nomeadamente as diáclases.
As diáclases são fissuras provocadas por fenómenos de torção, tensão ou compressão experimentados pelas rochas, aquando dos movimentos da crosta terrestre. As diáclases diferem das falhas pelo facto de não haver movimento significativo, um em relação ao outro, dos blocos formados. Estas resultam da fractura devida aos esforços internos na massa rochosa e poucos são os afloramentos que as não apresentam.


Tipos de meteorização:

Meteorização física ou mecânica:


A meteorização consiste no desgaste ou desagregação dos corpos geológicos pela acção dos agentes atmosféricos ou por acções mecânicas. Existem diferentes tipos de meteorização conforme os fenómenos são de natureza física, química ou biológica. Estes podem actuar separada ou conjuntamente, estando relacionados com as condições climáticas, e dependem da própria natureza da rocha.

Tipos de meteorização mecânica:

  • Acção da água:
    A alternância de períodos secos com períodos de forte humidade origina o aumento de volume e retracções, gerando tensões que conduzem à fracturação e desagregação do material rochoso. A acção da água da chuva sobre as rochas também contribui para a sua meteorização.
  • Acção do gelo ou Crioclastia:
    A água que penetra nas fracturas e nos poros da rocha pode gelar. Essa água expande-se e o seu acréscimo de volume exerce forças que aumentam as fissuras já existentes. Quanto mais fendas e cavidades cheias de água existirem maior será a fragmentação causada pelo gelo.
  • Acção do calor ou termoclastia
    Em regiões com fortes amplitudes térmicas diárias esta variação implica uma variação do volume das rochas. Um aumento de temperatura implica dilatação, um arrefecimento implica contracção.
  • Acção dos seres vivos:
    A implantação de sementes nas fracturas das rochas porosas e por consequência o crescimento das suas raízes são responsáveis pelo alargamento das fendas já existentes.
    Os ventos fazendo balançar as árvores, obrigam ao alargamento das fendas das rochas onde estão implantadas.
    Certos animais cavam tocas ou galerias que aumentam o grau de desagregação da rocha.
  • Crescimento de minerais ou Haloclastia
    A água que existe nas fracturas e poros das rochas contém sais dissolvidos que podem precipitar e iniciar o seu crescimento exercendo uma força expansiva, que contribui para uma maior desagregação das rochas.


  • Alívio de pressão:
    A redução de pressão sobre uma massa rochosa pode causar a sua expansão e posterior fragmentação. As rochas formadas em profundidade sob grande pressão, quando são aliviadas desse peso as rochas expandem, fracturam e formam diáclases.
    Este alívio de pressão provoca o aparecimento de camas concêntricas de capas algo semelhantes a escamas de cebola. Esse processo designa-se disjunção esferoidal.

A acção já referida das diáclases é bem visível nos maciços rochosos que afloram à superfície - afloramentos - ficam sujeitos a condições de pressão, temperatura e ambiente químico muito diferentes daqueles em que foram gerados.
Assim tomemos como exemplo, o afloramento de um maciço granítico:
- o granito, rocha que se forma em profundidade, quando atinge a superfície apresenta um conjunto de fracturas (diaclases) que, na sua maior parte, surgem durante a consolidação e arrefecimento do magma, podendo, também, resultar da acção de tensões internas da crusta.
- O granito aflora à superfície, devido à remoção, pela erosão, das rochas suprajacentes, o que provoca um alívio de carga (descompressão), que permite a abertura das fracturas existentes e inclusivamente, o aparecimento de novas, formando-se uma rede de diaclases Estas, vão permitir a infiltração e circulação de águas das chuvas, que por sua vez, iniciam o ataque químico e mecânico do maciço rochoso, o que leva a uma gradual desagregação.

Ou seja, o granito é alterado, principalmente ao nível das diaclases, onde a água pode circular. A rocha começa gradualmente a perder a coesão, levando à sua desagregação. Desta, resulta como produto final uma areia grosseira (areia granítica ou saibro) rica em quartzo, materiais argilosos e algum feldspato. Entretanto, verifica-se um arredondamento das arestas dos blocos fragmentados, entre os quais se acumula areia, resultando uma paisagem granítica – caos de blocos.



Meteorização Química

Tipo de meteorização que pode ocorrer com alteração da composição química e mineralógica dos minerais constituintes do corpo rochoso, podendo verificar-se a formação de minerais novos ou de neoformação. As acções químicas são provocadas sobretudo pela água, com diferentes substâncias dissolvidas ou em suspensão, e pelo ar húmido. Originam-se, assim, reacções de dissolução, hidratação, oxidação, redução, hidrólise, etc. As acções químicas são menos intensas nas regiões de clima desértico e nas regiões que se mantêm geladas todo o ano. Este tipo de meteorização é mais frequente em regiões quentes e húmidas.


Tipos de meteorização química:

Esta meteorização pode ocorrer de duas maneiras distintas:
- Os minerais são dissolvidos completamente e posteriormente podem precipitar formando os mesmos minerais. Ex: calcite ou halite
- Os minerais são alterados e formam novos minerais. Ex: feldspatos, micas.

Por acção da meteorização química obtém-se substancias químicas que constituem um outro tipo de sedimentos de origem não detríticas.

Os principais agentes desta alteração mineralógica são:

  • a água, com diferentes substâncias dissolvidas;
  • o oxigénio e o dióxido de carbono atmosféricos;
  • substâncias produzidas pelos seres vivos (meteorização bioquímica);
  • a temperatura, uma vez que influencia a velocidade das reacções.

Destacam-se os principais processos de alteração química:

Hidrólise:
A hidrólise dos materiais rochosos, é uma reacção química lenta e específica, em que os iões dos minerais reagem com os iões H+ e HO- da água, podendo originar novos minerais. Como exemplo, apresenta-se a meteorização por hidrólise de um feldspato.
Na natureza a acidificação da água é um fenómeno frequente, pois o CO2 atmosférico, ou o existente nos solos, pode reagir com a água formando ácido carbónico, que tem tendência a ionizar-se.

- Estas águas acidificadas reagem com o feldspato potássico (mineral que ocorre, por ex: nas rochas graníticas), originando a caulinite – mineral do grupo das argilas, com grande interesse para a indústria cerâmica. Este exemplo de meteorização é representado pela reacção química:

O fenómeno denomina-se caulinização, ocorrendo frequentemente nas rochas graníticas, que a pouco e pouco, se vão alterando, pela transformação dos feldspatos em minerais de argila.

Dissolução:
Processo de meteorização, pelo qual o material rochoso passa directamente para uma solução.
Apesar da maioria dos minerais não serem solúveis em água, se esta se apresentar acidificada, reage com os minerais, alterando-os.

COMO É QUE A ÁGUA DA CHUVA dissolve os CALCÁRIOS?

Dum modo geral, os calcários ostentam uma densa rede de diaclases. Não fosse a comum existência dessa rede de fracturas, os calcários seriam rochas bastante impermeáveis. É a circulação da água da chuva por essas diaclases que leva ao seu progressivo alargamento, dando origem a formas de relevo características das regiões calcárias: o Relevo ou Modelado Cársico.


Os calcários são rochas fundamentalmente constituídas por um mineral a que se dá o nome de calcite (carbonato de cálcio: CaCO3). Sendo este mineral facilmente atacado pelos ácidos, quando em contacto com as águas ácidas que neles circulam pelas diaclases, ocorre uma reacção química característica, conhecida por carbonatação, da qual resulta bicarbonato de cálcio dissolvido na água. A lenta mas contínua circulação das águas pelas diaclases leva à dissolução do calcário.

Por este processo, as fendas vão-se alargando e coalescendo umas com as outras, o que, em casos extremos pode levar à formação de longos e largos canais subterrâneos, por onde se dá uma intensa circulação da água. Em Portugal continental, os maciços calcários da região centro (Fátima, Minde, Ourém), são bons exemplos de locais onde ocorre a formação de grutas e galerias subterrâneas.

Oxidação
Processo de meteorização química, pelo qual o oxigénio atmosférico (dissolvido na água) reage com os iões dos minerais, produzindo óxidos.
Este processo é especialmente importante na meteorização de minerais, com teores de ferro elevados (minerais ferromagnesianos – olivinas piroxenas e as anfíbolas).

COMO É QUE ocorre a oxidação dos minerais?

ferro, que faz parte de minerais comuns como a biotite e a olivina, pode ser facilmente oxidado pela seguinte reacção:


4 FeO + O2 -> 2 FeO3
4 FeO = óxido ferroso
2 FeO3 = óxido férrico


Por este processo, formam-se novos minerais, com o ferro na forma oxidada, como a hematite. O ferro oxidado torna-se insolúvel em água, precipitando-se no meio em que se encontre, devendo-se a este facto a coloração avermelhada dos produtos de meteorização.

Hidratação
Combinação química de minerais com a água (levando também ao aumento de volume).
Ex.:



Desidratação
Remoção de água de minerais.

Carbonatação
As águas acidificadas podem reagir com minerais, formando produtos solúveis.
As águas acidificadas(resultantes, por exemplo, da interacção da água com o dióxido de carbono atmosférico) podem reagir com alguns minerais
formando produtos solúveis.
Ex.:No caso em que o ácido carbónico reage com o carbonato de cálcio, são removidos, em solução, iões cálcio e iões hidrogenocarbonato. Isto pode levar a formação de grutas.
No local ficam impurezas insolúveis, que quando existem óxidos de ferro originam terra rossa, preenchendo bolsas e depressões.



Erosão

A erosão é um fenómeno que implica a remoção do material de um lugar para o outro, com intervenção de diversos agentes (agentes de erosão). Os agentes erosivos arrancam e separam fragmentos da rocha-mãe.
Nem sempre é fácil compreender como a Terra, que aparentemente é tão firme e sólida, se altera em muitos aspectos. Sobre ela actuam a água, o vento, a neve, o ar húmido, a temperatura, os seres vivos, etc.
A erosão não actua continuamente sobre um primeiro e único relevo. Os agentes internos são construtivos, trabalham alternadamente com os agentes externos com tendência a estabelecer o equilíbrio. São os agentes internos que contribuem para a formação de novos relevos subjacentes aos perfis da superficie terrestre. A seguir, os agentes externos actuam com toda a energia, tendendo a nivelar os relevos.
A erosão tende a reduzir gradualmente as zonas salientes e a transformar a superfície em peneplanícies (ciclo de erosão). Os produtos de desagregação podem ficar no próprio lugar ou próximo dele, contribuindo para a formação do solo. Conforme os agentes erosivos ou as condições particulares em que se efectua, a erosão assume aspectos diferentes:
Erosão eólica: A acção erosiva do vento é feita através da remoção de partículas sedimentares deixando a descoberto a rocha sã que, desta forma, fica sujeita à acção da meteorização. O vento, em conjunto com as partículas que transporta, desgasta as rochas agindo como se fosse uma lixa. Esta erosão específica denomina-se corrosão, originando rochas alveolares e blocos pedunculados.
No caso do bloco pendulado, como a carga, quantidade de detritos por unidade de volume, transportada pelo vento é maior junto ao solo neste caso, ocorre nas rochas uma corrosão diferencial que pode originar os blocos.


Erosão fluvial: também designada erosão normal, tem como agente principal as águas correntes (águas de arroiamento ou escorrência, em particular as águas selvagens que não correm em leito próprio), as torrentes, os ribeiros e os rios. Quando chove, podemos admitir que cerca de um terço da água caída volta a evaporar-se, outro terço corre à superfície e o outro terço infiltra-se no terreno. A erosão das águas superficiais resulta das partículas que a água transporta e da inclinação dos terrenos sobre que desliza.
Um exemplo da acção erosiva da agua é formação de chaminés-de-fada. Esta formação resultanta da acção erosiva das águas selvagens em terrenos detríticos heterogéneos, muitas vezes de origem glaciária. Sob a acção da chuva os detritos de maior tamanho situados à superfície são postos em relevo, sendo continuado por um sulco cada vez mais profundo. Finalmente estes detritos ficam empoleirados no cimo de colunas e simulam capitéis. Estas formações, que se denominam chaminés de fada ou pirâmides de terra, apresentam as paredes eriçadas de pedras, que funcionam como goteiras, protegendo-as contra a destruição imediata.


Erosão cársica: existente principalmente nas regiões calcárias, é realizada pelas águas subterrâneas que se infiltram nas rochas permeáveis onde circulam. As rochas permeáveis mantêm a água até certa altura, formando o manto aquífero, cujo nível superior se denomina nível freático. As águas subterrâneas originam galerias e canais, grutas, cavernas, etc., em profundidade, enquanto que na superfície a erosão modela formas particulares muitas vezes ruiniformes, em que sobressaem os lapiazes, covões, algares, poljes, dolinas, etc.

Erosão glaciária: é provocada pelo gelo dos glaciares quando se desloca lentamente em direcção às regiões mais baixas. A acção erosiva é realizada pela massa de gelo em deslocação e pelos detritos transportados por essa massa gelada. A erosão glaciar origina a formação de vales em U (caleira glaciária), que nas zonas litorais constituem os fiordes.

Erosão marinha: a superfície dos oceanos é três vezes superior à das terras emersas, pelo que a sua acção erosiva é muito significativa no modelado das costas e no depósito de material transportado pelos rios. A erosão é realizada por acção das ondas e das marés, que desgastam a base das falésias, provocando um retrocesso dos alcantilados.

Transporte e sedimentação


Transporte é o movimento dos sedimentos por agentes como a água, o vento (…), durante o qual os sedimentos sofrem arredondamento, devido aos choques entre si, e granotriagem, ou seja, são separados de acordo com o seu tamanho, forma e densidade. Efeitos físicos do transporte afectarão os sedimento de diversas formas:
Arredondamento - É a medida da angulosidade das partículas; diz-se que a menos angular possui maior arredondamento. Isto resulta dos choques entre particulas e do atrito com as rochas à superficie. Daí segue-se que as superfícies das partículas vão ficando mais lisas e curvas, permitindo pelo grau de arredondamento se possa efectuar conjecturas sobre a duração do transporte.

Granosselecção - É muito comum em sedimentos do talude marinho profundo depositados pelas correntes turbidíticas. Na granoselecção cada camada evolui desde grãos grossos na base até grãos finos no topo, indicando uma diminuição de intensidade da corrente que depositou os grãos ( à medida que a força diminui a corrente deixa de conseguir transportar grãos mais grossos). Um caso particular da granoselecção aparece quando ocorre uma transgressão marinha ou regressão marinha.
Imaginemos uma zona plataforma interna, um ambiente marinho pouco profundo. Nesta zona é provável que apareçam grãos grossos como calhaus e seixos pois os cursos de água e correntes têm força para os transportar a curtas distâncias. Quando ocorre a transgressão este ambiente passa a ambiente marinho profundo onde se deposita material da granulometria das areias e siltes. A sucessão sedimentar resultante é nem mais nem menos que uma granoselecção com calhaus e seixos em baixo, gradualmente diminuindo a granulometria até às areias e siltes. O contrário também acontece numa regressão marinha, ficando os grãos mais finos em baixo e os mais grossos por cima.



Sedimentação é um processo que se verifica quando o agente transportador perde energia e os sedimentos se depositam. Pode ocorrer em ambientes terrestres, mas é mais importante e frequente em ambientes aquáticos.No seu processo de transporte, os sedimentos são depositados em locais relativamente calmos, ou seja, mais abrigados, nos quais a acção dos agentes de erosão e transporte é menor. Como exemplos destes locais temos os rios, os lagos e lagoas, as praias e os fundos oceânicos.
A sedimentação dá-se, em regra, segundo camadas sobrepostas, horizontais e paralelas.
Às camadas originadas dá-se o nome de estratos, que quando se formam, comprimem as camadas inferiores. Às superfícies de separação de estratos dá-se o nome de juntas de estratificação. Cada estrato fica entre dois outros, sendo o de cima denominado por tecto e o de baixo, muro.
Existem também casos de estratificação entrecruzada, que revela uma variação na intensidade da força ou da direcção do agente transportador.



NOTA: Nas faixas litorais, o ciclo sedimentar está relacionado com a variação da linha de costa em relação ao continente, que se reflecte nos sedimentos depositados. As transgressões e regressões marinhas, que correspondem, respectivamente, ao avanço da linha de costa pelo continente e ao recuo da linha de costa, podem ser testemunhadas nos estratos formados pela deposição de sedimentos aquando a ocorrência destes fenómenos. A transgressão marinha resulta da subida do nível do mar ou da subsidência do continente, enquanto que a regressão marinha é o resultado da descida do nível do mar ou da elevação dos continentes.


Diagénese

É o conjunto de fenómenos físicos e químicos que transforma os sedimentos movéis em rochas sedimentares consolidadas.
Na compactação os sedimentos são sucessivamente comprimidos por acção dos novos sedimentos que sobre eles se vão depositando. Assim, os mais subjacentes são sujeitos a um aumento de pressão crescente, o que vai provocar a expulsão da água que existe entre eles e a diminuição da sua porosidade, com consequente diminuição do seu volume.
Entre os espaços dos diferentes sedimentos pode ocorrer a precipitação de substâncias químicas dissolvidas na água. Este fenómeno de agregação chama-se cimentação.


Durante a recristalizaçao alguns minerais alteram as suas estruturas cristalinas. Este fenómeno ocorre devido a alterações das condições de pressão, temperatura bem como à circulação de água.

Sites Auxiliares:


NOTA:


Chaminés de fada – acção da água da chuva
Dunas – acção do vento
Falésias – acção da água do mar
Estratos – acumulação de sedimentos em leitos mais ou menos paralelos
Disjunção esferoidal – alívio de pressão.
Ravinas – acção da água da chuva.
Blocos pedunculados – acção do vento.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Rochas sedimentares: Minerais e sua identificação


O que é uma rocha?

Uma rocha é um agregado, consolidado ou não, de minerais, sendo a unidade estrutural da crusta e do manto. Quanto à sua origem, as rochas podem ser classificadas como magmáticas, sedimentares ou metamórficas.

O que é um mineral?

Um mineral substancia sólida, natural e inorgânica, de estrutura cristalina e com composição química fixa ou variável dentro de limites bem definidos. A estrutura cristalina dos minerais caracteriza-se por um arranjo regular, repetitivo e tridimensional dos átomos que o constituem. Os minerais formam-se a partir de misturas, ou melhor, de soluções aquosas sobressaturadas.
O estudo físico dos minerais possibilita determinar as suas propriedades ópticas (cor, brilho, transparência, refracção, dicroísmo, fluorescência, etc.) e ainda o seu peso específico e a sua dureza.
O estudo das propriedades químicas dos minerais recorre a análises laboratoriais. Os minerais são vulgarmente classificados como magmáticos, sedimentares ou metamórficos.
Nos minerais magmáticos incluem-se os feldspatos, o quartzo, as piroxenas, as anfíbolas, as micas e as olivinas, que cristalizam a partir de magmas ricos em sílica no interior da crosta, ou a partir de lavas que extruem.
Os minerais de origem sedimentar mais comuns são concentrados puros ou misturas de areias, ou minerais de argilas ou carbonatos (principalmente a calcite, a aragonite e a dolomite).
Os minerais típicos das rochas metamórficas são a andalusite, a granada, as micas, a estaurolite, etc.
Existem diversos tipos de minerais, como por exemplo:
  • Mineral acessório: quando se apresenta em muito pequenas quantidades numa rocha.
  • Mineral característico: se permite distinguir uma variedade de rocha de outra.
  • Mineral em bruto: aquele que não sofreu qualquer processo de tratamento.
  • Mineral essencial: aquele que se encontra numa rocha e é fundamental para a sua classificação e nomenclatura, mas não deve, necessariamente, encontrar-se em grandes quantidades.

Assim, podemos concluir que uma substância para ser considerada um mineral terá de:

  • Ser um sólido, o que exclui o reino mineral os líquidos e os gases.
  • Ocorrer naturalmente, formar-se sem intervenção do Homem.
  • Ser inorgânico, o que implica que todas as substâncias produzidas por seres vivos não sejam consideradas minerais.
  • Ter uma estrutura cristalina, as suas partículas constituintes definirem uma distribuição regular no espaço.
  • Ter uma composição química definida, fixa ou variável dentro de limites bem definidos.




Existem ainda substâncias sólidas, naturais e inorgânicas que, não possuem estruturas cristalinas. Estas substâncias designam-se mineralóides (ex.opala).

Identificação de minerais

Os minerais possuem propriedades físicas e químicas que os permitem caracterizar. Dentro das propriedades físicas destacam-se:
- Propriedades ópticas – cor, risca ou traço, brilho;
- Propriedades mecânicas – dureza, clivagem, fractura.
Nas propriedades químicas destacam-se sobretudo a densidade, a composição e a efervescência produzida por acção de um ácido.

Propriedades físicas dos minerais

Cor

É uma propriedade dos minerais que depende da maneira como eles reflectem a luz. A cor de qualquer corpo e, portanto, também de um mineral é complementar das radiações por ele absorvidas. Se um corpo absorve todas as radiações com excepção da radiação vermelha, que reflecte, a cor do corpo é vermelha. Alguns minerais são transparentes, incolores, porque se deixam atravessar pela luz sem absorver nenhum tipo de radiação. Esta propriedade deve ser observada à luz natural difusa e em superfícies de fractura recente. Alguns minerais não apresentam sempre a mesma cor, isto é, não possuem cor própria. É o caso do quartzo que se pode apresentar hialino, róseo, defumado, citrino, etc. Os minerais que apresentam uma gama variada de cores chamam-se alocromáticos.


Outros minerais, como a galenite e a pirite, apresentam, sensivelmente, a mesma cor em todas as amostras. Denominam-se idiocromáticos.



Risca ou traço

A risca é por definição a cor do pó de um mineral. Embora possa variar no mesmo mineral, é normalmente constante. De um modo geral, observa-se a risca através do pó deixado por um mineral numa porcelana não vidrada.
O traço é uma propriedade constante, enquanto que a cor pode ser uma propriedade variável. Esta propriedade determina-se no laboratório friccionando o mineral numa placa de porcelana desvidrada. Se o mineral for mais duro que a porcelana (a dureza da porcelana é sensivelmente igual a 6), o mineral não deixa pó, mas sim um sulco. Nestes casos utiliza-se um almofariz, pulveriza-se a amostra e observa-se então a cor do pó.
Em caso de dúvida sobre o tipo de brilho de um mineral, pode recorrer-se à risca.
Verifica-se que os minerais de brilho metálico possuem risca escura (negra ou tons escuros de castanho, verde ou cinzento) ou então risca tons fortes (vermelha, alaranjada, etc.). Os minerais de brilho não metálico possuem risca branca ou levemente corada.


Brilho ou lustre

O brilho de um mineral está relacionado com a maneira como esse mineral reflecte a luz numa superfície de fractura recente. Depende de numerosos factores, entre os quais os índices de refracção, a absorção da luz e as características da superfície estudada (lisa ou rugosa). O brilho de um mineral aumenta com a elevação do índice de refracção e diminui com a absorção da luz e a rugosidade da superfície.
O brilho dos minerais pode ser de dois tipos: metálico e não metálico. Não há uma separação clara entre estes dois grupos. Alguns minerais que estão entre os dois tipos designam-se, por vezes, com o nome de submetálicos. Um mineral que tenha o aspecto brilhante de um metal tem brilho metálico. A galena, a pirite e a calcopirite são bons exemplos de minerais de brilho metálico.
Todos os minerais sem aspecto metálico têm brilho não metálico. São, em geral, de cores claras e transmitem a luz através de lâminas finas.
Para classificar o brilho não metálico consideram-se os seguintes tipos:
- vítreo - tem um reflexo semelhante ao vidro, como, por exemplo, o quartzo;
- resinoso - tem o aspecto da resina, como, por exemplo, a blenda;
- gorduroso - quando o mineral parece estar coberto por uma fina camada de gordura, como, por exemplo, o gesso fibroso e a malaquite;
- adamantino - quando apresenta um reflexo forte e brilhante como o diamante.
- nacarado - quando apresentam o aspecto iridescente do nácar ou das pérolas, como, por exemplo, na apofilite;
- sedoso - com o aspecto da seda, como acontece na serpentina;
- mate - quando o brilho é muito fraco, característico dos minerais de aparência terrosa como a caulinite e a pirolusite.
O mesmo mineral pode não apresentar sempre o mesmo brilho. No caso dos agregados cristalinos granulosos, o brilho é menos intenso do que nos cristais isolados. A magnetite, por exemplo, nas superfícies cristalinas apresenta brilho metálico e nas massas granulosas tem brilho mate. O brilho é mais acentuado nas superfícies de clivagem do que nas faces do cristal.
O brilho de um mineral deve ser determinado à luz do dia, em superfícies planas, não oxidadas e limpas. Os minerais de brilho submetálico são transparentes ou semitransparentes em pequena espessura, com um índice de refracção de 2,5 a 3, como, por exemplo, a volframite e a cuprite.


Clivagem

A clivagem é um bom carácter para identificar minerais, principalmente aqueles que não estão, morfologicamente, perfeitamente desenvolvidos. A clivagem depende da estrutura interna do cristal e é constante para um determinado mineral e caracteriza-se como sendo a tendência de um mineral se dividir segundo superfícies planas e brilhantes, em determinadas direcções.
Os planos de clivagem são orientados no sentido da menor coesão, isto é, no sentido das ligações mais frágeis entre cada unidade da estrutura cristalina. Observa-se facilmente partindo um mineral. Por vezes obtêm-se porções limitadas por todos os planos de clivagem. Em alguns minerais, as características de todas estas direcções de clivagem são as mesmas (ex.: calcite, halite, etc.), noutros as características destes planos de clivagem são diferentes, o que significa que o mineral deve o seu nome à sua clivagem característica: a ortoclase tem direcções de clivagem perpendiculares, a plagioclase oblíquas e a euclase cliva perfeitamente.
Na prática distinguem-se os seguintes graus de clivagem:
- excelente, quando o mineral cliva em finas lamelas num único sentido, como, por exemplo, a grafite, o gesso, a clorite, a moscovite, etc.;
- muito boa ou perfeita, quando o mineral cliva em formas regulares delimitadas por planos de clivagem (ex.: formas cúbicas como a galena e a halite, formas romboédricas como a calcite, etc.);
- boa ou distinta, quando no mineral os planos de clivagem são menos visíveis e nem sempre perfeitamente definidos (ex.: feldspato, anfíbolas e piroxenas);
- imperfeita, quando a clivagem não se manifesta nitidamente; os planos de separação apresentam em geral uma superfície desigual (ex.: enxofre, cassiterite, apatite, etc.);
- muito imperfeita, quando não há clivagem; nestes minerais, o que se observa é a fractura.

Fractura

Em mineralogia, fractura é a propriedade mecânica dos minerais que consiste na sua separação de maneira irregular e não segundo planos como os de clivagem.
Distinguem-se diversos tipos de fractura:
- esquirolosa, se se formam fragmentos aguçados;
- irregular, se a superfície é rugosa;
- concoidal, quando origina superfícies lisas e encurvadas, de que a obsidiana é um bom exemplo.
O termo genérico designa a generalidade das fendas que ocorrem nas rochas sujeitas aos esforços tectónicos, como forças compressivas, de tensão ou cisalhamento. Quando os esforços ultrapassam os limites de resistência as rochas fracturam, isto é, dividem-se em blocos.

Dureza

Em mineralogia, a dureza consiste na resistência que oferece a superfície lisa de um mineral ao ser riscada. O grau de dureza é determinado pela observação da facilidade ou dificuldade relativa com que um mineral é riscado por outro ou através de uma ponta de aço.
A escala de dureza foi estabelecida tomando como base uma série de 10 minerais, com os quais se pode comparar a dureza de qualquer mineral, verificando se este risca ou é riscado por um elemento da escala que se nos afigura de dureza semelhante ao exemplar em estudo. A escala de dureza é denominada de escala de Mohs e é constituída por ordem crescente do grau de dureza do seguinte modo: 1) talco; 2) gesso; 3) calcite; 4) fluorite; 5) apatite; 6) ortoclase; 7) quartzo; 8) topázio; 9) corindo; 10) diamante.


Para facilitar a análise e poupar os termos menos duros da escala de Mohs, deve-se recorrer a ensaios preliminares, que possibilitam determinar a zona da escala em que a dureza do mineral se situa.

Uma vez determinada esta zona, os ensaios devem iniciar-se pelo termo de maior dureza.

Para usar a escala é necessário ter em conta certas características:

  • Qualquer mineral da escala risca todos os que estão abaixo dele, não sendo riscado por eles.
  • Se o mineral risca e é riscado por determinado termo, ou não se riscam mutuamente, a dureza do mineral é a correspondente a esse termo.
  • Se o mineral risca determinado termo, por exemplo a fluorite, não sendo riscado por ela, e é riscado pelo termo imediatamente superior (neste caso a apatite), não a riscando, a dureza do mineral fica compreendida entre a dureza dos 2 minerais – neste caso 4,5.
  • Após o ensaio deve-se limpar a superfície friccionada, para nos certificarmos se existe realmente um sulco ou, se se trata apenas do pó do mineral que, sendo menos duro, se desfaz pelo atrito.
  • Não se devem nos ensaios utilizar zonas alteradas do mineral.

A utilização da escala determina durezas relativas e não durezas absolutas. Uma das desvantagens da utilização desta escala é que a dureza absoluta aumenta de forma descontínua de termo para termo.
A dureza é uma propriedade geologicamente importante porque traduz a facilidade ou dificuldade com que um mineral se desgasta quando submetido à acção dos agentes de meteorização e erosão, como é o caso de cursos de água, do vento e dos glaciares.

Propriedades Químicas

As propriedades químicas não são tão divulgadas devido ao elevado custo de algumas análises químicas. Os resultados das análises permitem definir a fórmula química dos minerais.

Densidade

A densidade (d) de um mineral depende da sua estrutura cristalina, nomeadamente da natureza dos seus constituintes (átomos ou iões) e do seu arranjo, mais ou menos compacto.
Os minerais de brilho não metálico possuem densidades próximas da do quartzo (2,6) ou da calcite (2,7). Minerais de brilho não metálico apresentam densidades próximas da da pirite (5,0).
Minerais muito densos apresentam densidades superiores a 7, como o ouro (15 a 19,3).

A densidade pode ser calculada pela fórmula:
d= ___P___
P – P’
sendo P, o peso do mineral no ar e P’ o peso do mineral mergulhado em água.

Mas também de pode calcular pela fórmula:
d= ___M__ sendo M a massa do mineral e V o seu volume.
V

Composição

A classificação de Dana e Hurlbut (1960) agrupa os minerais de acordo com o anião dominante.



Reacção ao acido clorídrico

A efervescência consiste na libertação de uma substância através de um líquido. Os minerais, como a generalidade dos carbonatos, dissolvem-se nos ácidos com efervescência devido à libertação de uma substância gasosa que, no caso dos carbonatos, é o dióxido de carbono.

RELATÓRIO

Este relatório foi desenvolvido a partir dos conhecimentos adquiridos nesta fase da matéria.

Notícia - Zona de Vertente



Publicado no jornal " Público"

2 Notícias: Uma pouco tempo após a trágedia suceder e outra 19 anos após a mesma.




Notícia publicada passados 19 anos após a ocorrência do acontecimento.

sábado, 7 de março de 2009

Notícia - Zona Costeira: Cientistas procuram solução para protecção da costa


Título: Cientistas procuram solução para protecção da costa

Diário Digital / Lusa

Data: 02.03.2009

Uma equipa multidisciplinar de investigadores portugueses está desenvolver um sistema inovador de protecção da costa nacional, com estruturas submersas que permitem criar recifes artificiais e a rebentação de ondas adequadas à prática de surf.
O projecto consiste na colocação de estruturas submersas junto à costa, com incorporação de multifunções, propícias à criação de ecossistemas marinhos e capazes de provocar o rebentamento das ondas mais longe da costa.
Os investigadores começaram por desenvolver uma estrutura computacional adequada para a propagação de ondas e simulação dos efeitos de refracção, empolamento e rebentação das ondas.
«A onda rebenta na massa de água, chegando à protecção dunar com um potencial energético muitíssimo reduzido, e é provocada uma rotação que lhe dá características para a prática de surf», explicou hoje à Agência Lusa Antunes do Carmo, que coordenada o estudo, desenvolvido pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).
Nas estruturas submersas é usado material geotêxtil, que permite fixar plantas, transformando a zona num recife artificial atractivo para os peixes.
Este tipo de estruturas de protecção e valorização da costa tem bons exemplos de aplicação na Nova Zelândia e na costa Este da Austrália, onde uma zona bastante degradada deu lugar a um local procurado para campeonatos mundiais de surf.
A solução em estudo surge em alternativa aos esporões, típicos na protecção da costa portuguesa, mas com «consequências ambientais gravosas», porque «ao reter as areias na vertente Norte provocam erosões a Sul», considerou investigador.
«A costa portuguesa tem um manancial de oportunidades que não têm sido aproveitadas e tem sido alvo de remendos para resolver, à pressa, problemas imediatos (de protecção)», criticou.
Na opinião do especialista em Hidráulica Fluvial e Marítima, «o problema da costa portuguesa advém da falta de um desenvolvimento integrado». «Há demasiadas entidades a intervir na zona costeira, o que é muito grave. Tem de haver uma entidade gestora única, para não se promoverem interesses locais», afirmou.
Antunes do Carmo alertou para o impacto que a previsível subida do nível do mar terá na costa portuguesa, caso não sejam tomadas medidas rápidas de prevenção e reabilitação das zonas mais degradadas. «A previsível subida do nível do mar poderá ter reflexos preocupantes em Portugal. Temos várias zonas que poderão inundar largas centenas de metros, senão quilómetros», advertiu. Para que o estudo agora divulgado seja testado na zona a beneficiar é necessário financiamento, não só privado mas também estatal.
Além dos investigadores da FCTUC estão envolvidos no estudo especialistas do IMAR-Instituto do Mar e colaboram o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e o Instituto Superior Técnico.

domingo, 1 de março de 2009

O que é uma duna?

Todos nós dizemos que sabemos o que é uma duna, visto que já vimos uma e sabemos que se forma por acumulação de sedimentos. Mas como? Como se forma verdadeiramente uma duna?

Uma duna...

Nas zonas do litoral e em desertos, onde a areia é abundante e os ventos são persistentes, a acção modeladora do vento manifesta-se de várias maneiras. Quando a energia do vento é suficiente, as areias são deslocadas. Quando essa energia diminui de tal maneira que é incompatível com o transporte, a areia deposita-se, constituindo acumulações que no seu conjunto formam dunas. Estas, conforme o local de acumulação, podem ser litorais e desérticas.
As dunas litorais formam-se na zona superior e seca da praia, onde o vento, mesmo de pouca intensidade, pode deslocar os grãos de areia. Quando encontram um obstáculo ou a energia do vento não tem capacidade para os transportar, os grãos de areia depositam-se e se essa quantidade for suficiente formam-se dunas.
Em geral, as dunas litorais não excedem os 15 metros de altura. À medida que se vão formando, as dunas são objecto de alterações constantes. Submetida à força do vento, a duna avança na direcção do vento dominante. Dunas em deslocação podem destruir terrenos de cultivo, zonas arborizadas e até zonas urbanas. A estabilização das dunas faz-se recorrendo a sebes artificiais ou naturais, ou à plantação de vegetação. As raízes das plantas fixam a areia e a duna estabiliza.
Contudo, as dunas são estruturas frágeis.
Uma destruição da sua cobertura vegetal, provocada pela passagem continuada de peões, pela abertura de caminhos ou pelo fogo, permite novamente a acção do vento e o reinício da erosão e do transporte.
As zonas desérticas são zonas de anticiclone ou de altas pressões atmosféricas. Massas de ar seco baixam continuamente e mantêm-se persistentes. Estes ventos arrastam o pó e a areia, que vão depositando quando encontram obstáculos ou diminui a energia cinética do vento, formando dunas.
Um tipo vulgar de dunas forma longos acidentes perpendiculares à direcção do vento dominante. Outro, o mais raro, dispõe-se paralelamente à direcção do vento dominante.
Outro ainda tem a forma de crescente com as pontas orientadas para sotavento. Estas dunas denominam-se barchans e formam-se em zonas em que a areia é relativamente escassa, ficando algumas vezes a base rochosa a descoberto. As barchans, pela acção do vento, chegam a deslocar-se 30 metros por ano.
As dunas de aspecto estrelado formam-se por acção de vento que sopra de várias direcções.
Fixam-se no local onde se formaram.
E agora? O que é afinal uma duna? :)

Ocupação antrópica e problemas de ordenamento - Zona de Vertente


As zonas de vertente são locais de desnível da topografia terrestre, que podem ter um declive mais ou menos acentuado, encontrando-se muito expostas à acção intensa e rápida dos fenómenos erosivos. Devido às suas características, é frequente ocorrer nestas zonas movimentos descendentes de materiais do solo ou de materiais rochosos.
As alterações verificadas nas zonas de vertente devem-se, essencialmente, a duas causas naturais:
  • erosão hídrica, provocada pela água da chuva;
  • movimentos de terrenos.

O vento pode também causar as alterações que se verificam nas zonas de vertente.


Erosão Hidríca

A erosão hídrica que ocorre nas zonas de vertente processa-se de forma mais ou menos lenta e gradual, resultando do desgaste dos solos provocado essencialmente pelas chuvas, que constituem assim o principal agente erosivo nestes locais.
O impacto das gotas consiste na primeira fase de erosão hídrica; a água acumula-se e vai-se deslocando através do terreno inclinado, provocando ainda mais erosão.



Erosão Eólica

Em certas zonas de vertente o vento constitui também um agente erosivo, que actuando sobre as rochas, por vezes em conjunto com alguns sedimentos, funciona como uma lixa que as vai desgastando.


Movimento de Terrenos/ Movimentos em Massa

Os movimentos de terrenos correspondem a situações em que ocorre a movimentação de grandes massas de materiais sólidos. Esta movimentação pode ocorrer de forma muito lenta, quase imperceptível, ou, como acontece mais frequentemente, de forma brusca.
A ocorrência dos movimentos de terrenos está condicionada por causas naturais e por causas antrópicas, que podem, por sua vez, estar relacionadas com factores condicionantes e com factores desencadeantes.


Acção da gravidade sobre um bloco rochoso

Factores condicionantes

Os factores condicionantes correspondem a condições mais ou menos permanentes que podem influenciar os movimentos de terrenos, retardando ou acelerando a sua ocorrência. Os movimentos de terreno são, antes de qualquer outro factor, fortemente condicionados pela força da gravidade.
Os factores que condicionam a ocorrência de qualquer movimento de massa estão relacionados com:

  • o contexto geológico;
  • as características geomorfológicas do local.

Lista com marcasNo campo do contexto geológico, é importante ter em conta os seguintes factores condicionantes que influenciam a existência de movimentos de massa:

  • tipo e características das rochas consituintes da zona;
  • orientação e inclinação das camadas constituintes da zona;
  • o grau de alteração e fracturação das rochas consituintes da zona;
  • a presença/ausência de vegetação.

Focando-nos agora nas características da vertente em questão e das rochas que a constituem, podemos afirmar que o tipo de rocha e as suas características são factores determinantes na possibilidade de se dar um movimento de massa, pois:
- rochas que apresentem uma menor resistência a fracturas (ex. rochas com foliação) tendem a quebrar-se (quando sujeitas a uma força de determinada intensidade) e a originar um movimento de massa;
- a existência de fracturas e poros nas rochas vai facilitar a acção dos agentes de meteorização e erosão.
Quanto maior o grau de inclinação da vertente mais se vai fazer sentir a acção da força gravítica, que é aplicada a todas as partículas independentemente da sua distância ao solo.
A cobertura vegetal além de funcionar como um elemento de agregação do solo, desempenha um papel protector, defendendo a zona de vertente contra a erosão, diminuindo os seus efeitos sobre as vertentes. Na ausência desta cobertura a zona de vertente encontra-se mais sujeita à acção da meteorização e da erosão facilitando a ocorrência de movimentos de massa.


A presença da água em certos constituintes rochosos da vertente (por exemplo, as argilas) pode provocar a diminuição da coesão entre estes (meteorização química: dissolução/hidratação), contribuindo para a sua erosão.

Quanto à geomorfologia do terreno o declive, em conjunto com a gravidade, revela-se como o principal factor que influencia o deslocamento de massas.


Factores desencadeantes

Os factores desencadeantes resultam de alterações que foram introduzidas numa determinada vertente e que podem provocar movimentos em massa.
Exemplos de factores desencadeantes são:

  • a precipitação (intensa e pouco tempo ou moderada e prolongada);
  • a acção humana (remoção da vegetação, construção de estradas ou construções);
  • a actividade sísmica (as vibrações podem levar as formações rochosas instáveis a derrocadas;
  • as tempestades nas zonas costeiras (queda de grandes blocos rochosos);
  • as variações de temperatura (contracção e a dilatação dos materiais rochosos).

Quer a acção das chuvas, quer a acção do homem são os factores de maior relevo no que diz respeito ao desencadeamento de movimentos de massa.

Dentro da acção do homem, a destruição da cobertura vegetal é determinante, pelo papel protector que esta desempenha. As plantas constituem um elemento de fixação do solo e como tal quando são destruídas, a erosão processa-se de forma mais rápida e com efeitos mais devastadores. Uma outra acção do Homem, capaz de desencadear movimentos de massa, resulta da remoção dos terrenos para abertura de novas estradas ou construções.
Dentro da acção da precipitação, existem factores que alteram o equilíbrio em que se encontram as formações rochosas, tais como as elevadas precipitações que ocorrem num curto período de tempo e também as precipitações moderadas que ocorrem durante um período de tempo prolongado.


As fortes vibrações provocadas pelos sismos causam instabilidade, podendo até provocar deformações rochosas (falhas, por exemplo) que por sua vez também podem levar a um movimento de massas. Estas vibrações sísmicas são ainda potenciais causadoras de desmoronamentos de formações rochosas que se encontram em posições mais instáveis.
Quanto às tempestades que ocorrem nas proximidades de zonas costeiras, acabam por constituir um factor de erosão mais acelerada (chuva e vento fortes e intensos). Em zonas costeiras instáveis esta acção torna-se mais relevante, uma vez que provoca desmoronamentos mais facilmente, nomeadamente de rochas de grandes dimensões. Numa vertente constituída por diferentes camadas, a erosão das camadas mais inferiores (mais antigas) pode provocar o desabamento das camadas localizadas acima (mais recentes).

Os deslocamentos de massas podem ainda ocorrer, com uma certa facilidade, em locais onde existam falhas. Quando sujeitas a dobras, as massas rochosas encontram-se sob a acção duma meteorização e erosão mais fortes, além de o declive da zona ser alterado.

Como já foi referido, os movimentos em massa podem ser provocados por causas naturais ou antropológicas.
Os factores naturais envolvidos nos movimentos em massa são:

  • Gravidade;
  • Inclinação dos terrenos;
  • Tipo e características das rochas (disposição no terreno, orientação, grau de alteração);
  • Quantidade de água no solo;
  • Acontecimentos bruscos, como sismos ou tempestades.

As acções humanas que favorecem os movimentos em massa:

  • Destruição da cobertura vegetal dos terrenos, com consequente aumento da erosão do solo;
  • Remoção descontrolada de terrenos para urbanização ou construção de estradas;
  • Saturação dos terrenos por excesso de irrigação.

Medidas de prevenção

Os movimentos em massa podem ser responsáveis por prejuízos materiais significativos e, mesmo, perda de vidas humanas. Neste sentido, todas as medidas que possam ser adoptadas para minimizar, ou mesmo anular, este risco geológico, assumem um papel muito importante. Entre estas medidas, destacam-se, por ordem de eficácia e da razão custo/benefício, as seguintes:

1. Estudo das características geológicas e geomorfológicas de um local, para avaliação do seu potencial para a ocorrência de um movimento em massa.
2. Elaboração de cartas de ordenamento do território, com a definição das áreas onde possam ser exercidas as diferentes actividades humanas (zonas habitacionais, zonas agrícolas, zonas ecológicas, vias de comunicação, etc.).
3. Elaboração de cartas de risco geológico, onde se evidenciem as áreas com diferentes graus de probabilidade de ocorrência de movimentos em massa.

Se a probabilidade de ocorrência de um movimento em massa for considerada elevada, pura e simplesmente não deve ser autorizada, para aquele local, qualquer tipo de construção. Trata-se de um local de risco geológico elevado.
Noutros locais, de menor risco geológico, poderão ser autorizadas actividades humanas, mas, mesmo assim, devem ser acompanhadas de um projecto de engenharia que permita diminuir a probabilidade de ocorrência de um movimento de massa.

Nesta situação pode ser preconizada mais uma medida:
4. Remoção ou contenção (pregagens, muros de suporte ou outras) dos materiais geológicos que possam constituir perigo.