quarta-feira, 11 de março de 2009

Rochas sedimentares: Minerais e sua identificação


O que é uma rocha?

Uma rocha é um agregado, consolidado ou não, de minerais, sendo a unidade estrutural da crusta e do manto. Quanto à sua origem, as rochas podem ser classificadas como magmáticas, sedimentares ou metamórficas.

O que é um mineral?

Um mineral substancia sólida, natural e inorgânica, de estrutura cristalina e com composição química fixa ou variável dentro de limites bem definidos. A estrutura cristalina dos minerais caracteriza-se por um arranjo regular, repetitivo e tridimensional dos átomos que o constituem. Os minerais formam-se a partir de misturas, ou melhor, de soluções aquosas sobressaturadas.
O estudo físico dos minerais possibilita determinar as suas propriedades ópticas (cor, brilho, transparência, refracção, dicroísmo, fluorescência, etc.) e ainda o seu peso específico e a sua dureza.
O estudo das propriedades químicas dos minerais recorre a análises laboratoriais. Os minerais são vulgarmente classificados como magmáticos, sedimentares ou metamórficos.
Nos minerais magmáticos incluem-se os feldspatos, o quartzo, as piroxenas, as anfíbolas, as micas e as olivinas, que cristalizam a partir de magmas ricos em sílica no interior da crosta, ou a partir de lavas que extruem.
Os minerais de origem sedimentar mais comuns são concentrados puros ou misturas de areias, ou minerais de argilas ou carbonatos (principalmente a calcite, a aragonite e a dolomite).
Os minerais típicos das rochas metamórficas são a andalusite, a granada, as micas, a estaurolite, etc.
Existem diversos tipos de minerais, como por exemplo:
  • Mineral acessório: quando se apresenta em muito pequenas quantidades numa rocha.
  • Mineral característico: se permite distinguir uma variedade de rocha de outra.
  • Mineral em bruto: aquele que não sofreu qualquer processo de tratamento.
  • Mineral essencial: aquele que se encontra numa rocha e é fundamental para a sua classificação e nomenclatura, mas não deve, necessariamente, encontrar-se em grandes quantidades.

Assim, podemos concluir que uma substância para ser considerada um mineral terá de:

  • Ser um sólido, o que exclui o reino mineral os líquidos e os gases.
  • Ocorrer naturalmente, formar-se sem intervenção do Homem.
  • Ser inorgânico, o que implica que todas as substâncias produzidas por seres vivos não sejam consideradas minerais.
  • Ter uma estrutura cristalina, as suas partículas constituintes definirem uma distribuição regular no espaço.
  • Ter uma composição química definida, fixa ou variável dentro de limites bem definidos.




Existem ainda substâncias sólidas, naturais e inorgânicas que, não possuem estruturas cristalinas. Estas substâncias designam-se mineralóides (ex.opala).

Identificação de minerais

Os minerais possuem propriedades físicas e químicas que os permitem caracterizar. Dentro das propriedades físicas destacam-se:
- Propriedades ópticas – cor, risca ou traço, brilho;
- Propriedades mecânicas – dureza, clivagem, fractura.
Nas propriedades químicas destacam-se sobretudo a densidade, a composição e a efervescência produzida por acção de um ácido.

Propriedades físicas dos minerais

Cor

É uma propriedade dos minerais que depende da maneira como eles reflectem a luz. A cor de qualquer corpo e, portanto, também de um mineral é complementar das radiações por ele absorvidas. Se um corpo absorve todas as radiações com excepção da radiação vermelha, que reflecte, a cor do corpo é vermelha. Alguns minerais são transparentes, incolores, porque se deixam atravessar pela luz sem absorver nenhum tipo de radiação. Esta propriedade deve ser observada à luz natural difusa e em superfícies de fractura recente. Alguns minerais não apresentam sempre a mesma cor, isto é, não possuem cor própria. É o caso do quartzo que se pode apresentar hialino, róseo, defumado, citrino, etc. Os minerais que apresentam uma gama variada de cores chamam-se alocromáticos.


Outros minerais, como a galenite e a pirite, apresentam, sensivelmente, a mesma cor em todas as amostras. Denominam-se idiocromáticos.



Risca ou traço

A risca é por definição a cor do pó de um mineral. Embora possa variar no mesmo mineral, é normalmente constante. De um modo geral, observa-se a risca através do pó deixado por um mineral numa porcelana não vidrada.
O traço é uma propriedade constante, enquanto que a cor pode ser uma propriedade variável. Esta propriedade determina-se no laboratório friccionando o mineral numa placa de porcelana desvidrada. Se o mineral for mais duro que a porcelana (a dureza da porcelana é sensivelmente igual a 6), o mineral não deixa pó, mas sim um sulco. Nestes casos utiliza-se um almofariz, pulveriza-se a amostra e observa-se então a cor do pó.
Em caso de dúvida sobre o tipo de brilho de um mineral, pode recorrer-se à risca.
Verifica-se que os minerais de brilho metálico possuem risca escura (negra ou tons escuros de castanho, verde ou cinzento) ou então risca tons fortes (vermelha, alaranjada, etc.). Os minerais de brilho não metálico possuem risca branca ou levemente corada.


Brilho ou lustre

O brilho de um mineral está relacionado com a maneira como esse mineral reflecte a luz numa superfície de fractura recente. Depende de numerosos factores, entre os quais os índices de refracção, a absorção da luz e as características da superfície estudada (lisa ou rugosa). O brilho de um mineral aumenta com a elevação do índice de refracção e diminui com a absorção da luz e a rugosidade da superfície.
O brilho dos minerais pode ser de dois tipos: metálico e não metálico. Não há uma separação clara entre estes dois grupos. Alguns minerais que estão entre os dois tipos designam-se, por vezes, com o nome de submetálicos. Um mineral que tenha o aspecto brilhante de um metal tem brilho metálico. A galena, a pirite e a calcopirite são bons exemplos de minerais de brilho metálico.
Todos os minerais sem aspecto metálico têm brilho não metálico. São, em geral, de cores claras e transmitem a luz através de lâminas finas.
Para classificar o brilho não metálico consideram-se os seguintes tipos:
- vítreo - tem um reflexo semelhante ao vidro, como, por exemplo, o quartzo;
- resinoso - tem o aspecto da resina, como, por exemplo, a blenda;
- gorduroso - quando o mineral parece estar coberto por uma fina camada de gordura, como, por exemplo, o gesso fibroso e a malaquite;
- adamantino - quando apresenta um reflexo forte e brilhante como o diamante.
- nacarado - quando apresentam o aspecto iridescente do nácar ou das pérolas, como, por exemplo, na apofilite;
- sedoso - com o aspecto da seda, como acontece na serpentina;
- mate - quando o brilho é muito fraco, característico dos minerais de aparência terrosa como a caulinite e a pirolusite.
O mesmo mineral pode não apresentar sempre o mesmo brilho. No caso dos agregados cristalinos granulosos, o brilho é menos intenso do que nos cristais isolados. A magnetite, por exemplo, nas superfícies cristalinas apresenta brilho metálico e nas massas granulosas tem brilho mate. O brilho é mais acentuado nas superfícies de clivagem do que nas faces do cristal.
O brilho de um mineral deve ser determinado à luz do dia, em superfícies planas, não oxidadas e limpas. Os minerais de brilho submetálico são transparentes ou semitransparentes em pequena espessura, com um índice de refracção de 2,5 a 3, como, por exemplo, a volframite e a cuprite.


Clivagem

A clivagem é um bom carácter para identificar minerais, principalmente aqueles que não estão, morfologicamente, perfeitamente desenvolvidos. A clivagem depende da estrutura interna do cristal e é constante para um determinado mineral e caracteriza-se como sendo a tendência de um mineral se dividir segundo superfícies planas e brilhantes, em determinadas direcções.
Os planos de clivagem são orientados no sentido da menor coesão, isto é, no sentido das ligações mais frágeis entre cada unidade da estrutura cristalina. Observa-se facilmente partindo um mineral. Por vezes obtêm-se porções limitadas por todos os planos de clivagem. Em alguns minerais, as características de todas estas direcções de clivagem são as mesmas (ex.: calcite, halite, etc.), noutros as características destes planos de clivagem são diferentes, o que significa que o mineral deve o seu nome à sua clivagem característica: a ortoclase tem direcções de clivagem perpendiculares, a plagioclase oblíquas e a euclase cliva perfeitamente.
Na prática distinguem-se os seguintes graus de clivagem:
- excelente, quando o mineral cliva em finas lamelas num único sentido, como, por exemplo, a grafite, o gesso, a clorite, a moscovite, etc.;
- muito boa ou perfeita, quando o mineral cliva em formas regulares delimitadas por planos de clivagem (ex.: formas cúbicas como a galena e a halite, formas romboédricas como a calcite, etc.);
- boa ou distinta, quando no mineral os planos de clivagem são menos visíveis e nem sempre perfeitamente definidos (ex.: feldspato, anfíbolas e piroxenas);
- imperfeita, quando a clivagem não se manifesta nitidamente; os planos de separação apresentam em geral uma superfície desigual (ex.: enxofre, cassiterite, apatite, etc.);
- muito imperfeita, quando não há clivagem; nestes minerais, o que se observa é a fractura.

Fractura

Em mineralogia, fractura é a propriedade mecânica dos minerais que consiste na sua separação de maneira irregular e não segundo planos como os de clivagem.
Distinguem-se diversos tipos de fractura:
- esquirolosa, se se formam fragmentos aguçados;
- irregular, se a superfície é rugosa;
- concoidal, quando origina superfícies lisas e encurvadas, de que a obsidiana é um bom exemplo.
O termo genérico designa a generalidade das fendas que ocorrem nas rochas sujeitas aos esforços tectónicos, como forças compressivas, de tensão ou cisalhamento. Quando os esforços ultrapassam os limites de resistência as rochas fracturam, isto é, dividem-se em blocos.

Dureza

Em mineralogia, a dureza consiste na resistência que oferece a superfície lisa de um mineral ao ser riscada. O grau de dureza é determinado pela observação da facilidade ou dificuldade relativa com que um mineral é riscado por outro ou através de uma ponta de aço.
A escala de dureza foi estabelecida tomando como base uma série de 10 minerais, com os quais se pode comparar a dureza de qualquer mineral, verificando se este risca ou é riscado por um elemento da escala que se nos afigura de dureza semelhante ao exemplar em estudo. A escala de dureza é denominada de escala de Mohs e é constituída por ordem crescente do grau de dureza do seguinte modo: 1) talco; 2) gesso; 3) calcite; 4) fluorite; 5) apatite; 6) ortoclase; 7) quartzo; 8) topázio; 9) corindo; 10) diamante.


Para facilitar a análise e poupar os termos menos duros da escala de Mohs, deve-se recorrer a ensaios preliminares, que possibilitam determinar a zona da escala em que a dureza do mineral se situa.

Uma vez determinada esta zona, os ensaios devem iniciar-se pelo termo de maior dureza.

Para usar a escala é necessário ter em conta certas características:

  • Qualquer mineral da escala risca todos os que estão abaixo dele, não sendo riscado por eles.
  • Se o mineral risca e é riscado por determinado termo, ou não se riscam mutuamente, a dureza do mineral é a correspondente a esse termo.
  • Se o mineral risca determinado termo, por exemplo a fluorite, não sendo riscado por ela, e é riscado pelo termo imediatamente superior (neste caso a apatite), não a riscando, a dureza do mineral fica compreendida entre a dureza dos 2 minerais – neste caso 4,5.
  • Após o ensaio deve-se limpar a superfície friccionada, para nos certificarmos se existe realmente um sulco ou, se se trata apenas do pó do mineral que, sendo menos duro, se desfaz pelo atrito.
  • Não se devem nos ensaios utilizar zonas alteradas do mineral.

A utilização da escala determina durezas relativas e não durezas absolutas. Uma das desvantagens da utilização desta escala é que a dureza absoluta aumenta de forma descontínua de termo para termo.
A dureza é uma propriedade geologicamente importante porque traduz a facilidade ou dificuldade com que um mineral se desgasta quando submetido à acção dos agentes de meteorização e erosão, como é o caso de cursos de água, do vento e dos glaciares.

Propriedades Químicas

As propriedades químicas não são tão divulgadas devido ao elevado custo de algumas análises químicas. Os resultados das análises permitem definir a fórmula química dos minerais.

Densidade

A densidade (d) de um mineral depende da sua estrutura cristalina, nomeadamente da natureza dos seus constituintes (átomos ou iões) e do seu arranjo, mais ou menos compacto.
Os minerais de brilho não metálico possuem densidades próximas da do quartzo (2,6) ou da calcite (2,7). Minerais de brilho não metálico apresentam densidades próximas da da pirite (5,0).
Minerais muito densos apresentam densidades superiores a 7, como o ouro (15 a 19,3).

A densidade pode ser calculada pela fórmula:
d= ___P___
P – P’
sendo P, o peso do mineral no ar e P’ o peso do mineral mergulhado em água.

Mas também de pode calcular pela fórmula:
d= ___M__ sendo M a massa do mineral e V o seu volume.
V

Composição

A classificação de Dana e Hurlbut (1960) agrupa os minerais de acordo com o anião dominante.



Reacção ao acido clorídrico

A efervescência consiste na libertação de uma substância através de um líquido. Os minerais, como a generalidade dos carbonatos, dissolvem-se nos ácidos com efervescência devido à libertação de uma substância gasosa que, no caso dos carbonatos, é o dióxido de carbono.

RELATÓRIO

Este relatório foi desenvolvido a partir dos conhecimentos adquiridos nesta fase da matéria.

Notícia - Zona de Vertente



Publicado no jornal " Público"

2 Notícias: Uma pouco tempo após a trágedia suceder e outra 19 anos após a mesma.




Notícia publicada passados 19 anos após a ocorrência do acontecimento.

sábado, 7 de março de 2009

Notícia - Zona Costeira: Cientistas procuram solução para protecção da costa


Título: Cientistas procuram solução para protecção da costa

Diário Digital / Lusa

Data: 02.03.2009

Uma equipa multidisciplinar de investigadores portugueses está desenvolver um sistema inovador de protecção da costa nacional, com estruturas submersas que permitem criar recifes artificiais e a rebentação de ondas adequadas à prática de surf.
O projecto consiste na colocação de estruturas submersas junto à costa, com incorporação de multifunções, propícias à criação de ecossistemas marinhos e capazes de provocar o rebentamento das ondas mais longe da costa.
Os investigadores começaram por desenvolver uma estrutura computacional adequada para a propagação de ondas e simulação dos efeitos de refracção, empolamento e rebentação das ondas.
«A onda rebenta na massa de água, chegando à protecção dunar com um potencial energético muitíssimo reduzido, e é provocada uma rotação que lhe dá características para a prática de surf», explicou hoje à Agência Lusa Antunes do Carmo, que coordenada o estudo, desenvolvido pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).
Nas estruturas submersas é usado material geotêxtil, que permite fixar plantas, transformando a zona num recife artificial atractivo para os peixes.
Este tipo de estruturas de protecção e valorização da costa tem bons exemplos de aplicação na Nova Zelândia e na costa Este da Austrália, onde uma zona bastante degradada deu lugar a um local procurado para campeonatos mundiais de surf.
A solução em estudo surge em alternativa aos esporões, típicos na protecção da costa portuguesa, mas com «consequências ambientais gravosas», porque «ao reter as areias na vertente Norte provocam erosões a Sul», considerou investigador.
«A costa portuguesa tem um manancial de oportunidades que não têm sido aproveitadas e tem sido alvo de remendos para resolver, à pressa, problemas imediatos (de protecção)», criticou.
Na opinião do especialista em Hidráulica Fluvial e Marítima, «o problema da costa portuguesa advém da falta de um desenvolvimento integrado». «Há demasiadas entidades a intervir na zona costeira, o que é muito grave. Tem de haver uma entidade gestora única, para não se promoverem interesses locais», afirmou.
Antunes do Carmo alertou para o impacto que a previsível subida do nível do mar terá na costa portuguesa, caso não sejam tomadas medidas rápidas de prevenção e reabilitação das zonas mais degradadas. «A previsível subida do nível do mar poderá ter reflexos preocupantes em Portugal. Temos várias zonas que poderão inundar largas centenas de metros, senão quilómetros», advertiu. Para que o estudo agora divulgado seja testado na zona a beneficiar é necessário financiamento, não só privado mas também estatal.
Além dos investigadores da FCTUC estão envolvidos no estudo especialistas do IMAR-Instituto do Mar e colaboram o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e o Instituto Superior Técnico.

domingo, 1 de março de 2009

O que é uma duna?

Todos nós dizemos que sabemos o que é uma duna, visto que já vimos uma e sabemos que se forma por acumulação de sedimentos. Mas como? Como se forma verdadeiramente uma duna?

Uma duna...

Nas zonas do litoral e em desertos, onde a areia é abundante e os ventos são persistentes, a acção modeladora do vento manifesta-se de várias maneiras. Quando a energia do vento é suficiente, as areias são deslocadas. Quando essa energia diminui de tal maneira que é incompatível com o transporte, a areia deposita-se, constituindo acumulações que no seu conjunto formam dunas. Estas, conforme o local de acumulação, podem ser litorais e desérticas.
As dunas litorais formam-se na zona superior e seca da praia, onde o vento, mesmo de pouca intensidade, pode deslocar os grãos de areia. Quando encontram um obstáculo ou a energia do vento não tem capacidade para os transportar, os grãos de areia depositam-se e se essa quantidade for suficiente formam-se dunas.
Em geral, as dunas litorais não excedem os 15 metros de altura. À medida que se vão formando, as dunas são objecto de alterações constantes. Submetida à força do vento, a duna avança na direcção do vento dominante. Dunas em deslocação podem destruir terrenos de cultivo, zonas arborizadas e até zonas urbanas. A estabilização das dunas faz-se recorrendo a sebes artificiais ou naturais, ou à plantação de vegetação. As raízes das plantas fixam a areia e a duna estabiliza.
Contudo, as dunas são estruturas frágeis.
Uma destruição da sua cobertura vegetal, provocada pela passagem continuada de peões, pela abertura de caminhos ou pelo fogo, permite novamente a acção do vento e o reinício da erosão e do transporte.
As zonas desérticas são zonas de anticiclone ou de altas pressões atmosféricas. Massas de ar seco baixam continuamente e mantêm-se persistentes. Estes ventos arrastam o pó e a areia, que vão depositando quando encontram obstáculos ou diminui a energia cinética do vento, formando dunas.
Um tipo vulgar de dunas forma longos acidentes perpendiculares à direcção do vento dominante. Outro, o mais raro, dispõe-se paralelamente à direcção do vento dominante.
Outro ainda tem a forma de crescente com as pontas orientadas para sotavento. Estas dunas denominam-se barchans e formam-se em zonas em que a areia é relativamente escassa, ficando algumas vezes a base rochosa a descoberto. As barchans, pela acção do vento, chegam a deslocar-se 30 metros por ano.
As dunas de aspecto estrelado formam-se por acção de vento que sopra de várias direcções.
Fixam-se no local onde se formaram.
E agora? O que é afinal uma duna? :)

Ocupação antrópica e problemas de ordenamento - Zona de Vertente


As zonas de vertente são locais de desnível da topografia terrestre, que podem ter um declive mais ou menos acentuado, encontrando-se muito expostas à acção intensa e rápida dos fenómenos erosivos. Devido às suas características, é frequente ocorrer nestas zonas movimentos descendentes de materiais do solo ou de materiais rochosos.
As alterações verificadas nas zonas de vertente devem-se, essencialmente, a duas causas naturais:
  • erosão hídrica, provocada pela água da chuva;
  • movimentos de terrenos.

O vento pode também causar as alterações que se verificam nas zonas de vertente.


Erosão Hidríca

A erosão hídrica que ocorre nas zonas de vertente processa-se de forma mais ou menos lenta e gradual, resultando do desgaste dos solos provocado essencialmente pelas chuvas, que constituem assim o principal agente erosivo nestes locais.
O impacto das gotas consiste na primeira fase de erosão hídrica; a água acumula-se e vai-se deslocando através do terreno inclinado, provocando ainda mais erosão.



Erosão Eólica

Em certas zonas de vertente o vento constitui também um agente erosivo, que actuando sobre as rochas, por vezes em conjunto com alguns sedimentos, funciona como uma lixa que as vai desgastando.


Movimento de Terrenos/ Movimentos em Massa

Os movimentos de terrenos correspondem a situações em que ocorre a movimentação de grandes massas de materiais sólidos. Esta movimentação pode ocorrer de forma muito lenta, quase imperceptível, ou, como acontece mais frequentemente, de forma brusca.
A ocorrência dos movimentos de terrenos está condicionada por causas naturais e por causas antrópicas, que podem, por sua vez, estar relacionadas com factores condicionantes e com factores desencadeantes.


Acção da gravidade sobre um bloco rochoso

Factores condicionantes

Os factores condicionantes correspondem a condições mais ou menos permanentes que podem influenciar os movimentos de terrenos, retardando ou acelerando a sua ocorrência. Os movimentos de terreno são, antes de qualquer outro factor, fortemente condicionados pela força da gravidade.
Os factores que condicionam a ocorrência de qualquer movimento de massa estão relacionados com:

  • o contexto geológico;
  • as características geomorfológicas do local.

Lista com marcasNo campo do contexto geológico, é importante ter em conta os seguintes factores condicionantes que influenciam a existência de movimentos de massa:

  • tipo e características das rochas consituintes da zona;
  • orientação e inclinação das camadas constituintes da zona;
  • o grau de alteração e fracturação das rochas consituintes da zona;
  • a presença/ausência de vegetação.

Focando-nos agora nas características da vertente em questão e das rochas que a constituem, podemos afirmar que o tipo de rocha e as suas características são factores determinantes na possibilidade de se dar um movimento de massa, pois:
- rochas que apresentem uma menor resistência a fracturas (ex. rochas com foliação) tendem a quebrar-se (quando sujeitas a uma força de determinada intensidade) e a originar um movimento de massa;
- a existência de fracturas e poros nas rochas vai facilitar a acção dos agentes de meteorização e erosão.
Quanto maior o grau de inclinação da vertente mais se vai fazer sentir a acção da força gravítica, que é aplicada a todas as partículas independentemente da sua distância ao solo.
A cobertura vegetal além de funcionar como um elemento de agregação do solo, desempenha um papel protector, defendendo a zona de vertente contra a erosão, diminuindo os seus efeitos sobre as vertentes. Na ausência desta cobertura a zona de vertente encontra-se mais sujeita à acção da meteorização e da erosão facilitando a ocorrência de movimentos de massa.


A presença da água em certos constituintes rochosos da vertente (por exemplo, as argilas) pode provocar a diminuição da coesão entre estes (meteorização química: dissolução/hidratação), contribuindo para a sua erosão.

Quanto à geomorfologia do terreno o declive, em conjunto com a gravidade, revela-se como o principal factor que influencia o deslocamento de massas.


Factores desencadeantes

Os factores desencadeantes resultam de alterações que foram introduzidas numa determinada vertente e que podem provocar movimentos em massa.
Exemplos de factores desencadeantes são:

  • a precipitação (intensa e pouco tempo ou moderada e prolongada);
  • a acção humana (remoção da vegetação, construção de estradas ou construções);
  • a actividade sísmica (as vibrações podem levar as formações rochosas instáveis a derrocadas;
  • as tempestades nas zonas costeiras (queda de grandes blocos rochosos);
  • as variações de temperatura (contracção e a dilatação dos materiais rochosos).

Quer a acção das chuvas, quer a acção do homem são os factores de maior relevo no que diz respeito ao desencadeamento de movimentos de massa.

Dentro da acção do homem, a destruição da cobertura vegetal é determinante, pelo papel protector que esta desempenha. As plantas constituem um elemento de fixação do solo e como tal quando são destruídas, a erosão processa-se de forma mais rápida e com efeitos mais devastadores. Uma outra acção do Homem, capaz de desencadear movimentos de massa, resulta da remoção dos terrenos para abertura de novas estradas ou construções.
Dentro da acção da precipitação, existem factores que alteram o equilíbrio em que se encontram as formações rochosas, tais como as elevadas precipitações que ocorrem num curto período de tempo e também as precipitações moderadas que ocorrem durante um período de tempo prolongado.


As fortes vibrações provocadas pelos sismos causam instabilidade, podendo até provocar deformações rochosas (falhas, por exemplo) que por sua vez também podem levar a um movimento de massas. Estas vibrações sísmicas são ainda potenciais causadoras de desmoronamentos de formações rochosas que se encontram em posições mais instáveis.
Quanto às tempestades que ocorrem nas proximidades de zonas costeiras, acabam por constituir um factor de erosão mais acelerada (chuva e vento fortes e intensos). Em zonas costeiras instáveis esta acção torna-se mais relevante, uma vez que provoca desmoronamentos mais facilmente, nomeadamente de rochas de grandes dimensões. Numa vertente constituída por diferentes camadas, a erosão das camadas mais inferiores (mais antigas) pode provocar o desabamento das camadas localizadas acima (mais recentes).

Os deslocamentos de massas podem ainda ocorrer, com uma certa facilidade, em locais onde existam falhas. Quando sujeitas a dobras, as massas rochosas encontram-se sob a acção duma meteorização e erosão mais fortes, além de o declive da zona ser alterado.

Como já foi referido, os movimentos em massa podem ser provocados por causas naturais ou antropológicas.
Os factores naturais envolvidos nos movimentos em massa são:

  • Gravidade;
  • Inclinação dos terrenos;
  • Tipo e características das rochas (disposição no terreno, orientação, grau de alteração);
  • Quantidade de água no solo;
  • Acontecimentos bruscos, como sismos ou tempestades.

As acções humanas que favorecem os movimentos em massa:

  • Destruição da cobertura vegetal dos terrenos, com consequente aumento da erosão do solo;
  • Remoção descontrolada de terrenos para urbanização ou construção de estradas;
  • Saturação dos terrenos por excesso de irrigação.

Medidas de prevenção

Os movimentos em massa podem ser responsáveis por prejuízos materiais significativos e, mesmo, perda de vidas humanas. Neste sentido, todas as medidas que possam ser adoptadas para minimizar, ou mesmo anular, este risco geológico, assumem um papel muito importante. Entre estas medidas, destacam-se, por ordem de eficácia e da razão custo/benefício, as seguintes:

1. Estudo das características geológicas e geomorfológicas de um local, para avaliação do seu potencial para a ocorrência de um movimento em massa.
2. Elaboração de cartas de ordenamento do território, com a definição das áreas onde possam ser exercidas as diferentes actividades humanas (zonas habitacionais, zonas agrícolas, zonas ecológicas, vias de comunicação, etc.).
3. Elaboração de cartas de risco geológico, onde se evidenciem as áreas com diferentes graus de probabilidade de ocorrência de movimentos em massa.

Se a probabilidade de ocorrência de um movimento em massa for considerada elevada, pura e simplesmente não deve ser autorizada, para aquele local, qualquer tipo de construção. Trata-se de um local de risco geológico elevado.
Noutros locais, de menor risco geológico, poderão ser autorizadas actividades humanas, mas, mesmo assim, devem ser acompanhadas de um projecto de engenharia que permita diminuir a probabilidade de ocorrência de um movimento de massa.

Nesta situação pode ser preconizada mais uma medida:
4. Remoção ou contenção (pregagens, muros de suporte ou outras) dos materiais geológicos que possam constituir perigo.


sábado, 28 de fevereiro de 2009

Ocupação antrópica e problemas de ordenamento - Zonas Costeiras


Zonas costeiras

As zonas litorais constituem um valioso recurso natural, insubstituível e não-renovável, do qual o Homem obtém, por exemplo, alimentos e recursos minerais, para além de serem importantes locais de lazer e turismo.
O mar é o receptor final dos sedimentos gerados no continente e constantemente drenados para as bacias oceânicas. Calcula-se que apenas 10% dos sedimentos depositados no mar sejam efectivamente produzidos pelo próprio mar.
Nas regiões costeiras, onde as massas rochosas, estratificadas ou não, penetram na água com forte inclinação, proporcionam-se as condições para a formação de escarpados. Com o decorrer dos tempos geológicos, regiões costeiras podem afundar-se ou, por outro lado, as águas marinhas elevarem-se e inundarem regiões interiormente emersas.
Na linha de costa, existe sempre uma interacção de forças destrutivas, resultado da meteorização, erosão e, por outro lado, acções construtivas, por acumulação de detritos.
A linha de costa estabelece a transição entre os meios continentais e oceânicos.
A faixa costeira mundial possui 500.000km, onde habita 80% da população mundial.

Evolução do Litoral

No entanto, estas zonas não são estáticas, mas muito dinâmicas. O litoral evolui, algumas formas modificam-se, mudam de posição, e outras aparecem e desaparecem. Actualmente, a dinâmica da faixa litoral é condicionada pela intervenção de fenómenos naturais e antrópicos.

Processos naturais:
  • Alternâncias: transgressões/regressões nível do mar e glaciação e interglaciação;
  • Movimentos das placas tectónicas;
  • Deformação margens.

Processos antrópicos:

  • Efeito de estufa: temporais e temperatura;
  • Ocupação da faixa litoral com construções;
  • Diminuição da quantidade de sedimentos, devido à construção de barragens e/ou exploração de inertes nos rios;
  • Destruição de defesas naturais, como dunas e vegetação costeira.

Fenómenos Naturais

De entre os fenómenos naturais, aos quais o homem é completamente alheio e que, de uma maneira geral, não pode contrariar, anular ou modificar, destacam-se:
-> alternância entre regressões e transgressões marinhas, como a subida e a descida do nível médio da água do mar;
-> existência de correntes marinhas litorais variadas que, ao provocarem a erosão, o transporte e a deposição de sedimentos, condicionam a morfologia da costa;
-> a deformação das margens dos continentes, como resultado de movimentos tectónicos, que pode provocar a elevação ou o afastamento das zonas litorais.


Regressões e Transgressões marinhas. O que são?

A alternância de períodos glaciáricos e de períodos interglaciários ocorridos no planeta tiveram como consequência indirecta a modificação das linhas de costa, uma vez que durante os períodos mais frios (glaciações) uma quantidade importante de água é transferida do domínio oceânico para as calotes polares, ocorrendo uma diminuição do nível médio das águas do mar e um fenómeno inverso durante o período interglaciário. Quando se verifica o recuo do mar, diz-se que ocorreu uma regressão marinha.

Na imagem seguinte podemos observar uma sequência normal onde o tamanho do grão diminui da base para o topo, uma vez que a energia do meio vai também diminuindo. Trata-se de uma transgressão marinha, situação esta, resultante de um aumento do nível do mar. Numa sequência inversa sucede o contrário com aumento do tamanho do grão da base para o topo, regressão marinha. No gráfico da esquerda podemos observar uma tendência nos últimos milhões de anos para uma natural subida do nível do mar.



O aumento da temperatura média global do planeta (períodos interglaciários) vai provocar quer a expansão térmica dos oceanos, quer a fusão das massas de gelo, o que origina um maior volume de água. Esta situação pode levar a uma subida do nível médio das águas e, consequentemente, ao avanço do mar relativamente à linha de costa, ultrapassando o território onde se encontrava anteriormente a faixa litoral. Este tipo de fenómeno denomina-se transgressão marinha.



Devido às variações do nível médio das águas do mar com origem em fenómenos de glacioeustatismo, podem observar-se em certos locais do litoral níveis de praias elevados, que correspondem a vestígios de antigas praias, relacionadas com níveis do mar superiores aos actuais.
Estes depósitos de sedimentos litorais são denominados terraços marinhos ou "praias levantadas", podendo, em muitos casos, ser considerados como testemunhos das oscilações do nível das águas do mar causadas pelas glaciações como as que ocorreram, por exemplo, durante o Pleistocénico.


Características geológicas da acção do mar:


Formas de Erosão e Formas de deposição

As zonas costeiras ou zonas da orla marinha caracterizam-se por uma intensa actividade geológica provocada pelo mar. O movimento das ondas, a subida e descida rítmica do nível das águas resultantes das marés e as correntes marinhas resultantes do movimento das águas de uns locais para os outros da superfície da Terra provocam um profundo desgaste do material da superfície continental em determinadas zonas costeiras e a sua deposição noutros locais, por vezes muito distantes da sua origem.



A acção do mar sobre o litoral é essencialmente mecânica e designada por abrasão marinha. A abrasão é caracterizada por um desgaste provocado pelo rebentamento das ondas nas rochas, sendo esta particularmente intensa quando as ondas transportam partículas que são atiradas contra as rochas. Origina-se assim, um pequeno escarpado nas rochas duras, formando-se na sua base, uma pequena plataforma rochosa que se inclina em direcção ao mar, situando-se abaixo do nível das águas.
A presença de um escarpado elevado na linha de costa pode originar, por escavação das ondas, plataformas com solo rochoso na base do escarpado, que se denominam plataformas de abrasão.

A erosão e a deposição de sedimentos conduzem a formas de relevo características, das quais se salientam:

  • as praias resultantes da acumulação de sedimentos de dimensões variadas, a grande maioria dos quais de origem fluvial. Estes locais impedem o avanço do mar e constituem ecossistemas com grande diversidade.
  • as arribas, resultantes da intensa erosão marinha. As arribas são faixas de litoral escarpado, muito íngreme, constituídas por material rochoso consolidado e com escassa cobertura vegetal, onde o efeito da erosão marinha se faz sentir de forma intensa.

A natureza do material rochoso, o seu grau de dureza e compactação, a orientação e posição dos estratos condicionam a velocidade da abrasão da arriba.

As vagas, desencadeadas por acção do vento, transmitem até ao litoral a energia que dele recebem e têm a sua acção erosiva grandemente potenciada pelo efeito abrasivo dos materiais (areias, seixos, blocos) que põe em movimento. Em resultado desta acção formam-se os litorais de erosão, ou catamórficos, caracterizados por arribas, ou falésias alcantiladas, que recuam à medida que aumenta a plataforma litoral ou de abrasão marinha. Deste recuo restam como testemunhos pontas rochosas, promontórios ou cabos escarpados, muitas vezes prolongados mar adentro por pontuações igualmente rochosas (ilhéus, baixios, escolhos, abrolhos, calhaus, pedras, etc., nos diversos modos de dizer locais), com destaque para a Costa Vicentina e para os cabos da Roca, de S. Vicente, de Sagres e do Carvoeiro, com a conhecida e elegante Nau dos Corvos.


Quando é o mar que recua, o litoral diz-se anamórfico ou de acumulação. Têm aqui lugar a praia, em geral arenosa (mas às vezes cascalhenta), e as dunas. Na sequência desta regressão do mar, a arriba fica liberta da erosão das vagas, passando a evoluir em ambiente subaéreo, até adquirir um perfil de equilíbrio ditado pela sua natureza e pelas condições climáticas ambientais. Facilmente reconhecíveis na paisagem litoral, estes testemunhos de antigos litorais são considerados arribas fósseis.



Uma das maiores formas através das quais a água (rio ou mar) desgasta a rocha é por abrasão lenta. A areia e os calhaus transportados pelo rio geram uma acção trituradora que consegue desgastar até a rocha mais dura. No fundo de alguns rios, os calhaus e os seixos encontram-se em rotação no interior de cavidades no fundo do leito, como se de uma misturadora se tratasse, aprofundando-as e alargando-as. Estas cavidades são denominadas de marmitas de gigante e encontram-se em todos os cursos de água e também junto ao mar, na plataforma de abrasão, embora resultem mais do abatimento de algares do que da própria acção trituradora dos calhaus e seixos. Quando a água baixa, podemos observar estes calhaus e areias depositados no fundo das marmitas de gigantes expostas.


Formas de Deposição

As formas de acumulação de sedimentos ao longo das costas incluem praias, restingas, ilhas-barreira, tômbolos.

Nas praias, com acumulações predominantemente de areias de grão fino e grosso, o movimento oscilatório das ondas marinhas provoca como que ondulação dos materiais arenosos. Como já referido, as praias são constituídas por acumulação de materiais transportados pelo mar, resultando de uma interacção entre a litologia, a forma da costa e a dinâmica das ondas. Os materiais detrítícos são submetidos a uma selecção granulométrica, à medida que se afastam do litoral. Assim, os materiais de maior dimensão, como blocos, seixos e areias, são transportados e atirados para a praia, predominantemente, por rolamento e saltação.

Nas praias podem ocorrer lagunas ou mares temporários e elevações. As costas apresentam um perfil típico, com cristas e patamares que se relacionam com os diferentes níveis de marés. As costas que assim se apresentam designam-se terraços marinhos e estão relacionadas com anteriores níveis do mar, no Quaternário. É de notar que, nos tempos actuais, não são de facto praias, pois já não são submetidas à acção das ondas e das correntes, embora sejam erodidas e destruídas por outros agentes.


As ilhas-barreira estabelecem-se com a formação de um cordão de areia paralelo à costa e com instalação de uma laguna, a partir do densenvolvimento de cordões nos estuários, que levam a formação de lagunas.

As lagunas são um dos tipos de ambientes na interface terra-mar. As lagunas ou bacias parálicas são entidades deprimidas, geralmente pouco profundas, e parcialmente fechadas ao mar por uma barreira. Um tal obstáculo pode ser de areia, os mais comuns, recifal, nos litorais intertropicais ou, mais raramente, rochoso.
A comunicação com o mar, temporária ou permanente, é feita através de vaus, que, no caso das barreiras arenosas, podem fechar e abrir ou migrar para um lado ou para outro.
Na costa de Portugal continental, desenvolvem-se extensos cordões litorais, como, por exemplo, em Faro-Olhão, formaram-se cordões litorais, que acabaram por levar à formação de uma laguna e não de uma "ria".


Na costa, podem surgir formações resultantes da acumulação de materiais detríticos a ligar a praia litoral a uma ilha. Designa-se por tômbolo uma formação nessas condições.


Na costa portuguesa, observam-se restingas ou cabedelos como na foz do rio Douro. As restingas ou cordões litorais caracterizam-se pela acumulação de areia ligada à faixa litoral, por uma das suas extremidades e com a outra livre.


Combate à erosão do litoral:

O homem, provoca fenómenos que se fazem sentir no litoral, provocando uma consequente erosão no mesmo.
De entre estes fenómenos salientam-se:

  • O agravamento do efeito de estufa provocado pelo excesso de CO2 e outros gases em consequência da queima de combustíveis fósseis e da desflorestação. Este incremento na quantidade de gases provoca o aumento da frequência e intensidade dos temporais e o aumento da temperatura do nosso planeta, como consequente fusão das massas geladas e a expansão térmica da água dos oceanos.
  • A ocupação da faixa litoral com estruturas de lazer e de recreio, bem como a implementação de estruturas de pesadas de engenharia;
  • A diminuição da quantidade de sedimentos que chegam ao litoral em consequência da construção de barragens nos grandes rios;
  • A destruição de defesas naturais, como a destruição das dunas devido ao pisoteio, a construção de habitações, o arranque da cobertura vegetal e a extracção de inertes para a construção civil.

Assim para combater a erosão litoral são tomadas medidas como:

  • Construção de obras transversais como os esporões e obras paralelas à linha de costa como os paredões, que são obras aderentes, ou destacadas como os quebra-mares;
  • Estabilização de arribas;
  • Alimentação artificial das praias com inertes;
  • Recuperação de dunas.

Obras de “protecção do litoral”:

Essas obras são de três tipos:

  • obras transversais à linha de costa, como os esporões;
  • construções paralelas aderentes à linha de costa, como os paredões;
  • destacadas, como os quebra-mares.

Essas construções, de que se destacam os esporões e os paredões, destinam-se a evitar o efeito abrasivo sobre a linha de costa (paredões) ou o arrastamento de sedimentos e areias (esporões), em determinados locais da costa, para protecção de pessoas e bens.


Infelizmente, estas obras são limitadas no tempo e no espaço, uma vez que se verifica a acumulação de sedimentos transportados pelo mar num dos lados da estrutura e a sua erosão do lado oposto, ou seja a construção destas obras protegem uns locais mas agravam a situação nas zonas costeiras próximas desses locais, conduzindo à necessidade de novas medidas de protecção nessas zonas, numa espiral infindável de intervenções de protecção. Muitos geólogos e organizações tem a opinião de que seria mais benéfico reduzir ou acabar com este tipo de construções, visto que o Homem deve respeitar a dinâmica existente no litoral.

Na imagem em A observa-se um paredão, em B uma série de esporões e em C um quebra mar.

Outras medidas como a recuperação de dunas e a alimentação artificial de praias permitem uma protecção mais eficiente e prolongada.
De forma a tomar as melhores medidas para combater a erosão litoral que se faz sentir é necessário um ordenamento cuidado da costa permitindo uma gestão eficaz dos recursos de forma sustentada e duradoura. Em Portugal, existem os Planos de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) que tem como objectivos: identificar as áreas de risco potencial, promover a reabilitação das áreas afectadas, requalificar as áreas balneares, propor medidas correctivas e estabelecer regras para a utilização da orla costeira.


VIDEO:

Extraído do site http://sites.google.com/site/geologiaebiologia/Home/geologia-problemas-e-materiais-do-quotidiano/zonas-costeiras, por Nuno Correia, Com adaptações.

Sites auxiliares:
http://sites.google.com/site/geologiaebiologia/Home/geologia-problemas-e-materiais-do-quotidiano/zonas-costeiras
http://estragodanacao3.blogspot.com/2007/06/zonas-costeiras.html (zonas costeiras - Informaçao sobre Portugal)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Zona_costeira
http://campus.fct.unl.pt/afr/ipa_9899/grupo0025_ordenamento/index.html ( destruição da Orla Costeira Portuguesa)

RESUMO

Definição de zona costeira:

A zona costeira ou faixa litoral corresponde à zona de transição entre o domínio continental e o domínio marinho. É uma faixa complexa, dinâmica, mutável e sujeita a vários processos geológicos. A acção mecânica das ondas, das correntes e das marés são importantes factores modeladores das zonas costeiras, cujos resultados são formas de erosão ou formas de deposição.

As formas de erosão resultam do desgaste provocado pelo impacto do movimento das ondas sobre a costa - abrasão marinha -, sendo mais notória nas arribas. As formas de deposição são consequência da acumulação dos materiais arrancados pelo mar ou transportados pelos rios, quando as condições ambientais são propícias. Resultam praias ou ilhas-barreiras.
O dinamismo elevado característico das zonas costeiras traduz-se numa constante evolução destas áreas. Algumas formas modificam-se, mudam de posição, umas desaparecem e outras aparecem.

A zona costeira é um sistema que se encontra num equilíbrio dinâmico, que resulta da interferência de inúmeros factores, quer naturais quer antrópicos.
Dos fenómenos naturais que interagem com a dinâmica das zonas costeiras podem referir-se a alternância entre as regressões e transgressões marinhas, a alternância entre períodos de glaciação e interglaciação e a deformação das margens dos continentes.
Entre os factores antrópicos que afectam a dinâmica das zonas costeiras, destacam-se:
- o agravamento do efeito de estufa;
- a ocupação, muitas vezes excessiva, da faixa litoral;
- a diminuição de sedimentos que chegam ao litoral pela construção de barragens nos grandes rios;
- a destruição de defesas naturais, que resulta do pisoteio das dunas, da construção desordenada, do arranque da cobertura vegetal e da extracção de inertes.
A acção dos fenómenos naturais e antrópicos sobre a zona costeira acelera o processo de erosão dos litorais.

Site de vídeo de regressão e transgressão (inglês):
http://www.wwnorton.com/college/geo/earth/flash/7_2.swf

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Ocupação antrópica e problemas de ordenamento - Bacias Hidrógraficas

Antes de avançar para este tema é importante a revisão de um conceito do 10º ano, que ajudará a compreender melhor o que se segue.

Hidrosfera: A presença de água líquida abundante na Terra é uma das características que faz dela um planeta especial. A hidrosfera é constituída pelos reservatórios de água que existem na Terra: oceanos, rios, lagos, glaciares, calotes de gelo e águas subterrâneas. O volume da água correspondente a cada reservatório é muito diferente.
Alguns autores consideram que as calotes de gelo, os glaciares e outras superfícies geladas formam um subsistema mais restrito, a criosfera.
Os oceanos representam os maiores reservatórios de água (97,2%). Isto significa que os reservatórios de água doce, os mais importantes para os seres vivos, para a agricultura e para a indústria, representam, apenas, uma pequena percentagem. O maior reservatório de água doce (74%) encontra-se gelado, pelo que a percentagem de água doce disponível para os seres vivos é uma fracção muito serve pequena do subsistema.
A água movimenta-se na Natureza passando sucessivamente de um reservatório a outro, como já sabe. Esse movimento faz parte do ciclo hidrológico. Os grandes motores do ciclo hidrológico são a energia solar e a força gravítica.

Comprendendo este conceito, será mais fácil a compreensão da matéria que se segue.

A ocupação antrópica do território dá-se devido ao crescimento da população humana que tem como consequência uma ocupação de grandes zonas da superfície terrestre, que altera as paisagens naturais existentes. Para evitar que esta ocupação antrópica se acentue, ou seja para que os impactos ambientais causados pelas acções humanas sejam reduzidos, é necessário definir regras de ordenamento do território.
Para além dos sismos e vulcões, e de acordo com as características geológicas e climáticas de cada região, existem situações muito perigosas para o Homem - riscos geomorfológicos:

- as cheias, as construções de barragens, a extracção de inertes e a erosão fluvial, associadas às bacias hidrográficas;
- a pressão urbanística e a erosão costeira, associadas às zonas costeiras;
- os movimentos de massa e a erosão das vertentes, associados às zonas de vertente.

Bacias hidrográficas
Um Rio é um curso de água, superficial e regular que pode desaguar num outro rio, num lado, ou no mar, nascendo a montante e desaguando a jusante.

Perfil transversal de um rio

Existem 3 "tipos" de leito de um rio (espaço que pode ser ocupado pelas águas), nomeadamente o leito aparente, o leito de inundação e o de estiagem.
  • Leito do rio aparente/normal – terreno ocupado, normalmente, pelas águas.
  • Leito de cheia/inundação – espaço ocupado pelas águas em época de cheias, quando a pluviosidade é muito abundante.
  • Leito de seca/estiagem – zona ocupada pelas águas quando a quantidade destas diminui, por exemplo, durante o verão.

Os rios possuem margens que são as faixas de terreno contíguas ao leito do rio.
Os rios incluem-se em:
  • Redes hidrográficas: conjunto de todos os cursos de água, confluentes, de uma determinada região.
  • Bacias hidrográficas: área drenada por uma determinada rede hidrográfica. Imagem da rede e da bacia hidrográfica do Mississipi

Perfil longitudinal de um rio

Um grande rio que desagua no mar tem no nível médio das águas do mar o seu nível base em função do qual regula o seu perfil. Pelo facto deste nível condicionar toda a rede fluvial dos continentes chama-se nível de base geral. O ponto de confluência de dois cursos de água funciona para o afluente como nível de base local. Acidentes como barragens, naturais ou artificiais, são responsáveis pelo mesmo efeito regularizador dos troços que ficam a montante do nível de base
O perfil transversal do rio também estabelece o seu estádio de evolução. À medida que o rio se vai aproximando do seu perfil de equilíbrio, a erosão vertical ou escavamento do leito vai diminuindo e dando lugar a um alargamento do rio e um aumento da sedimentação.
A regularização do perfil faz-se da foz (jusante) para a nascente (montante). As irregularidades vão desaparecendo, os rápidos recuando, o mesmo sucedendo às cabeceiras que vão penetrando na montanha. Esta progressão da erosão no sentido contrário ao da corrente denomina-se erosão regressiva.
São estas características geomorfológicas e geológicas que vão controlar os processos de erosão, transporte e sedimentação que vão ocorrer ao longo do curso.

Evolução de uma bacia hidrográfica

Ao longo dos tempos, a acção erosiva dos cursos de água provoca alterações na configuração da própria bacia hidrográfica.


Inicialmente o curso de água instala-se numa superfície recentemente formada, aproveitando os desníveis do relevo (A). Gradualmente, escava um vale mais fundo e abre novos vales (B). Começa a formar-se uma planície aluvial , devido à acumulação de sedimentos - materiais transportados pelo rio e resultantes do desgaste a montante (C). A continuação deste processo origina a formação de planícies aluviais nos vales de alguns afluentes, o alargamento da planície principal e a formação de meandros - Curvas no leito do rio formadas pela maior acumulação de sedimentos na margem onde a corrente tem menor velocidade (D).

A evolução das bacias hidrográficas também é influenciada pela alteração do nível médio das águas do mar:
- O recuo do mar aumenta a velocidade e o poder erosivo dos cursos de água, que vão aprofundar os vales e talhar outros novos. Nas novas vertentes, ficam terraços que correspondem às antigas planícies aluviais. ( E)
- O avanço do mar reduz a velocidade de escoamento dos cursos de água e a sua capacidade de desgaste e transporte, aumentando a acumulação. Dá-se, então, o alargamento das planícies aluviais e a inundação de grandes extensões de terra.


Actividade geológica de um rio:

- Erosão;
- Transporte;
- Deposição/sedimentação.

No curso superior do rio, as águas dispõem do máximo de energia e, daí, a sua grande capacidade erosiva.
No curso médio, o vale é, em geral, encaixado, predominando, aí, o transporte.
À medida que o rio se aproxima do perfil de equilíbrio, o trabalho de escavação do leito, ou seja, a erosão vertical, vai diminuindo, dando lugar à sedimentação, processo prevalecente no curso inferior. As vertentes, no entanto, continuam a recuar, alargando continuamente o vale.

Erosão - consiste na remoção progressiva de materiais resultantes da alteração das rochas do leito do rio e das margens. Resultam da alteração das rochas e, por erosão, são retirados do local. A erosão dá-se devido à pressão que a água exerce sobre as saliência do leito de das margens.

A acção erosiva de um rio depende de vários factores tais como:
a) Declive do leito do rio;
b) Caudal
c) Natureza da rocha do leito
d) Carga sólida (tipo de materiais por ele transportados)

Assim, no curso superior há predomínio da erosão sendo o perfil longitudinal irregular e o declive acentuado, com rápidos, cachoeiras, mijarelas ou misarelas e outras roturas do traçado.

Transporte - inícia-se quando os detritos (fragmentos sólidos) que constituem a carga do rio, anteriormente erodidos, são deslocados pela corrente do mesmo.
Carga sólida num curso de água:
- Materiais dissolvidos
- Materiais em suspensão
- Materiais que sofrem tracção (materiais mais pesados e grosseiros):
 Saltação
 Rolamento
 Arrastamento

Desde os materiais em suspensão, até aqueles que sofrem arrastamento e rolamento, vai diminuindo a velocidade de transporte.



Os cursos de água transportam grandes quantidades de materiais sólidos e em solução na água. Os calhaus deslocam-se por rolamento e arrastamento, as areias por saltação, e os siltes e argilas em suspensão. Ressalve-se, porém, que variações da velocidade da corrente podem modificar alguns destes comportamentos. Os materiais sólidos transportados promovem, por atrito ou atrição, a erosão dos leitos por onde circulam. Veja-se, por exemplo, o caso espectacular das marmitas de gigante, que não são mais do que buracos circulares, coma forma que o nome sugere, escavados pelo redemoinhar dos seixos que aí ficam temporariamente cativos, exercendo intensa abrasão sob o efeito da corrente, e onde eles próprios se arredondam.

Pode-se dizer, que o curso médio tem grande capacidade de transporte, declive mais suave, vales com perfil transversal em V, e perfil longitudinal mais regularizado. É neste troço que ganham importância geomorfológica os meandros encaixados cujo traçado é, muitas vezes, fixado por redes de falhas.

Assim quando as águas atingem as áreas mais baixas e aplanadas, os grandes rios podem serpentear tranquilamente em amplos meandros.
A deposição ocorre essencialmente no meio do canal (A), obrigando o curso de água a modificar a sua direcção.


Os meandros são próprios de regiões húmidas, quentes ou temperadas, de acentuada planura. De regime calmo e relativamente constante, as águas, que neles circulam, transportam pouca carga sólida, de granularidade média a fina.
Ao circular no leito curvilíneo, a corrente é bastante mais veloz (por mero efeito centrífugo) na margem côncava, exercendo aí erosão, que dizemos lateral. Pelo contrário, e pela mesma razão, a margem convexa é propícia à sedimentação, dando continuidade ao crescimento constante do corpo arenoso.

Sedimentação - capacidade de deposição dos materiais, ao longo do leito e das margens, quando diminui a capacidade de transporte do rio. A deposição dos materiais nas margens é principalmente importante quando ocorrem cheias. Na planície de inundação formam-se aluviões (depósitos de sedimentos) que tornam as margens mais férteis.

A sedimentação é influenciada pelas dimensões e peso dos detritos e pela velocidade da corrente. Os materiais mais densos e pesados são os primeiros a depositar-se, depositando-se mais para montante (na direcção da nascente) e os detritos mais leves depositam-se mais a jusante (na direcção da foz).

NOTA: A incidência dos processos de erosão, transporte e deposição é ciclíca e a sua intensidade depende de factores climatéricos (p.exemplo. pluviosidade).

O curso inferior do rio, onde predomina a sedimentação caracteriza-se por vales amplos, de vertentes suaves, afastadas e degradadas.

A deposição de materiais é importante quando ocorrem cheias, formando depósitos no leito de cheia chamados aluviões.
Em vários dos seus troços menos declivosos e, portanto, menos energéticos [mais propícios à sedimentação), e, em especial, na parte vestibular (terminal), são comuns os terraços fluviais. Estas rochas nas vertentes do vale estão muitas vezes relacionados com depósitos (aluviões) acumulados em fases anteriores do traçado, quando o leito do rio se encontrava a cotas mais elevadas, isto é, menos encaixado. A maioria dos terraços das áreas vestibulares tem l origem glácio-eustática, resultante das oscilações do nível do mar (nível de base geral) relacionadas com os períodos glaciários e interglaciários do Quaternário.


Factores de risco geológico associados às bacias hidrográficas:

- cheias;
- barragens;
- extracção de inertes.

Gestão das bacias hidrográficas:

Existem 4 planos internacionais (Minho, Tejo, Douro e Guadiana) e 11 nacionais para a gestão das bacias hidrográficas do nosso país.

Cheias – aumento do caudal dos cursos de agua, com elevação e extravase do leito normal e inundação das áreas circunvizinhas. Precipitações anormais, degelos ou rupturas são causas frequentes.

Prevenção de danos relacionados com cheias:
- Regulamentação da construção e ocupação de leitos de cheia.
- Construção de barragens e canalizações.

Barragem - é uma barreira artificial, feita em cursos de água para a retenção de grandes quantidades de água.

Vantagens:
  • Regularizam o caudal, evitando cheias ;
  • Provocam retenção de água à formam albufeiras a montante da barragem, que regularizam o caudal a jusante da barragem;
  • Água acumulada pode ter várias utilizações:
    - Produção de energia hidroeléctrica;
    - Abastecimento de populações;
    - Actividades de recreio;
    - Irrigação de terrenos agrícolas.

Desvantagens:

  • Deposição de materiais no fundo da albufeira à redução da capacidade de armazenamento de água; redução da quantidade de detritos debitada no mar.
  • Período de vida útil após o qual provocam problemas de segurança.
  • Impacto negativo nos ecossistemas terrestres e aquáticos.

Para tentar minimizar estes efeitos negativos, são efectuadas canalizações que regularizam, aprofundam, alargam e removem os obstáculos em determinadas zonas do leito do rio.

Extracção de inertes - consiste na remoção de detritos do leito do rio.

Consequências:

  • Desaparecimento de praias fluviais;
  • Descalçamento de pilares de pontes, podendo originar a sua queda;
  • Alterações das correntes;
  • Redução na quantidade de sedimentos que chegam ao mar.